13 de agosto de 2017

Dois prefeitos “politicamente incorretos”


Plinio Maria Solimeo

Em outro artigo(*) apresentamos um político inglês conservador, bem casado e pai de seis filhos, que por sua fidelidade à fé católica enfrenta de peito aberto todos os desmandos morais que assolam o pobre mundo moderno.

Hoje falaremos de dois políticos italianos que, coerentes com a sua ideologia, também defendem os valores tradicionais, não aceitando essas pragas que infestam nosso século.


O primeiro é Federico Sboarina [foto ao lado], recém-eleito prefeito, pela coalizão da Liga do Norte, da importante cidade de Verona. Advogado de 46 anos, “tão logo chegou ao cargo, deu ordem para se retirar das escolas e deixar de privilegiar nas bibliotecas públicas todo o material propagandístico da ideologia de gênero que havia sido distribuído nos últimos anos” .(1)

Isso ele fez em cumprimento ao prometido em seu programa eleitoral que, “como forma de apoiar a família, estabelece, entre outros, estes três pontos: 
“Oposição à difusão da ideologia de gênero nas escolas mediante propostas educativas desenvolvidas em colaboração com as associações de famílias, com a finalidade de promover o respeito à dignidade masculina e feminina, sem desprezar suas valiosas diferenças naturais”;  
“Retirada das bibliotecas e das escolas municipais [...], incluídas as creches, de livros e publicações que promovam a equiparação da família natural com as uniões do mesmo sexo, e interrupção das iniciativas que promovem indiretamente este mesmo objetivo”;  
“Compromisso de rechaçar toda iniciativa (deliberações, moções, ordens-do-dia, coleta de assinaturas, orgulho homossexual, etc.) contrária aos valores da vida, da família natural ou das prerrogativas do direito dos pais em educar seus filhos segundo seus princípios morais e religiosos”.
Devido a essas propostas conservadoras, Federico Sboarina obteve 58,11% dos votos no segundo turno das eleições de 25 de junho. É preciso salientar que Verona, com cerca de 250.000 habitantes, é a segunda cidade do Vêneto, logo depois de Veneza. 

Patrizia Bisinella, adversária de Sboarina, também pertencera à Liga do Norte, partido conservador; mas nos últimos anos cedeu ao império do lobby homossexual. O resultado das eleições mostra que a maioria da população é mais conservadora do que os políticos pensam. E, no entanto, eles se iludem defendendo essas aberrações morais, que julgam ter popularidade entre o povinho. 


Campanha de imposição ideológica subvencionada

Como não é de surpreender, as medidas do novo prefeito provocaram um imenso clamor no establishment pró-homossexual. O lobby LGBT fala agora em “confiscar” e “destruir” qualquer livro que questione a ideologia de gênero, além de atacar a “censura” existente em Verona, no que é apoiada pela Associação Italiana de Editores, pela Associação Italiana de Bibliotecas e pela International Publishers Association, que pediram a Federico Sboarina que reconsidere a sua decisão. 

Uma das principais organizações do lobby homossexual italiano, Arcigay, comenta: “É desconcertante que Sboarina seja vítima do grande espantalho e da apoteose paranoica reacionária do momento, do ogro do gênero, que não existe, mas sobre o qual se construiu um partido que consegue alguns votos”. Ao que “os defensores da medida respondem que esses ‘alguns votos’ são quase dois terços dos registrados no dia 25 de junho, e que a própria existência de toda a propaganda retirada agora por Sboarina demonstra que não há nenhum ‘espantalho’ nem ‘paranoia’, mas uma campanha de imposição ideológica bem organizada e subvencionada”

Com efeito, a maioria dos textos infantis, que têm muito pouca venda nas livrarias e “pouca procura da parte dos pais que compram livros para seus filhos, são financiados com dinheiro público para sua distribuição escolar e estão destinados exclusivamente a doutrinar as crianças na ideologia de gênero”.

Apesar do verdadeiro estrondo publicitário que estão fazendo contra essa medida de Federico Sboarina, ela significa apenas que esses lixos morais “simplesmente deixarão de ser leitura escolar obrigatória, e não serão privilegiados, como até agora, nas salas de leitura infantil das bibliotecas públicas”


Católico e cristão à antiga 

O outro prefeito que se opõe à agenda LGBT é Serafim Ferrino [foto ao lado], 68 anos, da pequena cidade de Favria, de cinco mil habitantes, na província de Turim. Reeleito quatro vezes, ele se confessa um “católico e cristão à antiga” .(2)

Também coerente com a sua fé, ele foi o primeiro prefeito na Itália a se negar a celebrar um “casamento” entre dois homens, desde a aprovação, em maio, da lei que o permite. O destemido prefeito afirma: “Para mim, a família está composta só por um homem e uma mulher, não por dois homens ou duas mulheres”. “Essas poderão ser uniões, mas não famílias. Creio firmemente que a base da sociedade é a família. Sem família não há sociedade. É ela que educa os filhos, a que trabalha sobre o terreno”

Em várias entrevistas, Serafim já havia declarado que não celebraria “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, “nem delegaria a função de fazê-lo, porque seria uma forma indireta de colaboração”. Foi o que, chegada a ocasião, pôs em prática. 

Como não poderia deixar de ser, a ditadura homossexual pôs a boca no mundo, no que foi secundada pela imprensa liberal. Serafim não se abalou: “Simplesmente obedeço à minha consciência”, disse ele à “La Nuova Bussola Quotidiana”: “Agora todos me fazem guerra, mas paciência. Isso quer dizer que é necessário dar testemunho assim!”

Serafim já havia se manifestado de outras formas, como participando da concentração organizada pelo movimento Sentinelas em Pé na cidade de Ivrea.


A provocação do lobby homossexual 

O prefeito é muito querido em sua cidade, à qual não pertenciam os que provocativamente haviam solicitado o “casamento”. A localidade é muito apreciada para bodas por sua beleza artística, “mas Serafim tem claro que, como não há casualidade, eles escolheram o local justamente para suscitar o caso, porque sabiam de seu rechaço à lei”. Aliás, essa é uma das táticas habituais do lobby homossexual para amedrontar seus oponentes, como sucedeu com o confeiteiro Jack Phillips [foto ao lado], do Colorado, a três mil quilômetros de distância, a quem um casal homossexual encomendou um bolo para sua boda a fim de obter uma negativa e o confeiteiro ser multado. 

Serafim diz por que se recusa a fazer esse “casamento”: “Por razões éticas e morais, porque sou católico praticante, e porque, como prefeito, tenho o dever de opor-me a uma lei injusta. Sou um católico que procura fazer política seguindo o Magistério da Igreja. Ninguém pode impedir-me de professá-lo”.

No clima de ditadura anticristã em que vivemos isso poderá acarretar para Serafim a perda do cargo. Mas ele tem o apoio da esposa, entretanto “muito preocupada com a exposição mediática” deslanchada pela imprensa liberal praticamente de todo o mundo. “Em 37 anos de atividade política e administrativa, jamais isso me havia sucedido. Não estou violando a lei, estou é respeitando minha fé”, diz o destemido batalhador. 
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1. http://www.religionenlibertad.com/alcalde-coherente-retira-colegios-guarderias-todo-material-57992.htm, que vimos seguindo para este artigo. 
2. Este artigo está baseado em http://www.religionenlibertad.com/solo-obedezco-conciencia-dice-alcalde-italiano-que--52245.htm

7 de agosto de 2017

Jovem revela que, mesmo após confessar-se, não perdoa a si própria por ter abortado o seu bebê


Paulo Roberto Campos


Adela Alonso [fotos], uma jovem paraguaia de 22 anos, revelou o trauma que lhe causou o fato de ter feito um aborto no segundo mês de sua gravidez. Ela afirmou no programa de TV RPC (Red Paraguaya de Comunicación) que — mesmo tendo-se confessado e obtido o perdão pelo pecado — não consegue perdoar-se a si mesma. 


Chorando muito, disse ela que abortou no dia 17 de abril, dois dias depois de seu aniversário, e até hoje não consegue superar aquele momento mais difícil de sua existência.

Muito comovida, ela fez a revelação no programa de reality show “Mundos Opuestos”, num momento em que comentava sua vida: “Quando abortei, eu escutei o barulho que se fazia quando trituravam o bebê. E não posso esquecer isso. Acho que é difícil perdoar a mim mesma, embora tenha me confessado, não estou tranquila comigo mesma; eu me sinto como uma assassina”. 


No final de seu depoimento [gravação abaixo] ainda disse, “Perdão! Perdão, Fausto, ou perdão, Adela”. A jovem explicou que se o bebê fosse menino, se chamaria Fausto; e se fosse menina, seria Adela. 

“Perdão! Perdão!”. Com essas palavras encerrou, pois não conseguia mais falar por ter ficado com a voz embargada. 

Queira Deus que verdadeiramente arrependida e com o coração contrito e humilhado, a jovem seja perdoada e que o bebê possa interceder por ela junto ao Divino Salvador.



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Com informações do diário “Hoy”, de Assunção (Paraguai), 08 de julho de 2017: http://www.hoy.com.py/espectaculos/video-modelo-revela-aborto-en-mundos-opuestos-me-cuesta-perdonarme-a-m-mism

4 de agosto de 2017

COISA RARÍSSIMA...


Político conservador, católico praticante, casado no rito tridentino e pai de seis filhos 


Plinio Maria Solimeo 

No corrupto mundo da política de nossos dias ainda existe isso? Onde se encontra essa avis rara (algo muito raro, excepcional), que transita na contramão do que ocorre hoje em quase todo o mundo? 


Sim, essa avis rara existe e pode ser encontrada nada menos que na Câmara dos Comuns da Inglaterra. Chama-se Jacob Rees-Mogg [foto], tem 48 anos e pertence a uma das famílias católicas mais importantes da Inglaterra e da aristocracia do Reino Unido. Seu pai foi editor do “Times” de Londres .

“Este deputado é todo um personagem, tanto fora como dentro do Parlamento, destacando-se por sua fina ironia, seu peculiar sentido de humor, e por ser o máximo e um dos últimos representantes do conservadorismo britânico mais puro. Mas, antes de tudo, é um firme e fiel católico, defensor acérrimo da Igreja e da figura do papado”, em um país majoritariamente protestante. “Criado em um ambiente anticatólico, Jacob não se incomoda com o termo ‘papista’, antes o reivindica”

Alegria pela paternidade 

Quando já era pai de cinco filhos, ao chegar o sexto assim anunciou Jacob Rees-Mogg no Instagram o seu nascimento: “Helena e eu anunciamos com alegria que já temos nosso bebê, Sixto Domingos Bonifácio Cristóvão, irmão de Pedro, Maria, Tomás, Anselmo e Alfredo”

“Nunca o nascimento do filho de um simples deputado da Câmara dos Comuns havia alcançado tanto eco na imprensa britânica. Os principais meios [de comunicação] publicam, nestes dias, que o membro do Partido Conservador, Jacob Rees-Mogg foi, aos 48 anos, pai pela sexta vez. E ser uma família tão numerosa não é o mais chamativo que aparece nesses artigos, mas sim o nome de seu filho”

Esse católico de truz quer honrar os Santos pondo seus nomes nos filhos. Todos eles têm por isso mais de um nome, seja de santo ou de figuras ilustrativas de seu país. Sixto, o primeiro nome de seu sexto filho, que causou tanto alvoroço, foi para honrar os três Papas santos com esse nome. Com o segundo nome, Domingos, o deputado quis honrar o fundador da Ordem dos Pregadores ou Dominicanos. Já o terceiro nome foi dado em honra de São Bonifácio, santo inglês e padroeiro dos alemães. Finalmente, Cristóvão foi acrescentado para honrar o mártir São Cristóvão. 


Jacob dera ao seu primogênito o nome de Pedro Teodoro Alfege em honra do primeiro Papa, de São Teodoro de Tiro e de Santo Alfege. Este último foi o primeiro bispo de Cantuária e nasceu em Somerset, região onde Jacob cresceu e da qual é representante político. 

A segunda e única filha do deputado é Maria Ana Carlota Ema, em honra à Virgem e à sua mãe, Santana, e a Santa Ema da Saxônia. 

O terceiro filho se chama Tomás Wenthworth Somerset Duston em honra de São Tomás Becket, mártir inglês. Anselmo Carlos Fitzwilliam é o quarto filho, para honrar Santo Anselmo de Cantuária, Doutor da Igreja e bispo dessa diocese.

O quinto filho é Alfredo Wulfric Leyson Pius, em honra do rei inglês Santo Alfredo, o Grande, e de São Wulfric de Haselbury, também britânico; e Pio para honrar o Beato Papa Pio IX, considerado “seu grande herói”, pois tem “qualidades admiráveis”, destacando sua “visão tradicional do Estado e da Igreja”. Apesar dessa preferência, o ínclito deputado diz que é “fã de todos os Papas”. 

A fé em primeiro lugar 

O curioso é que este político usa métodos muito simples em suas campanhas eleitorais. Acompanhado do filho mais velho [foto], ele vai de casa em casa em seu distrito eleitoral, distribuindo folhetos com sua plataforma política. Com isso ele mantém um trato muito pessoal com a população, da qual se tornou muito conhecido, tanto pelo método de abordagem, quanto pela defesa dos valores morais e tradicionais, que lhe valeu ser reeleito três vezes pela circunscrição de North East Somerset, no sul do país, com um apoio cada vez maior dos eleitores. 


Em suas campanhas ele não esconde que votaria inclusive contra seu Partido e seu Governo em questões nas quais sua fé e seus princípios são questionados. E não sofre com isso nenhuma pressão. Em 2014, por exemplo, quando estava em pauta o casamento homossexual, ele votou contra seu Partido, que apoiava essa infame paródia do verdadeiro casamento. “Sou católico romano”, afirmou, acrescentando que neste tipo de assunto de ordem moral os ensinamentos da Igreja prevalecem sobre a orientação de seu Partido. Na ocasião, Jacob havia dito que se opunha a determinada medida porque ela entrava em choque com o ensino católico, já que o matrimônio é um Sacramento. 

Coerente com seu perfil conservador, ele costuma dizer que “não sou um ‘modernizador’”, destacando que “a estratégia de modernização deixou em segundo plano os problemas que realmente preocupam as pessoas”.

Nem aborto, nem eutanásia, nem suicídio assistido 

A posição assumida por Jacob foi também muito firme nas tentativas de legalização do suicídio assistido no Reino Unido, finalmente reprovado pela Câmara. Em sua opinião, no fundo do debate há muitas semelhanças entre o que se passou com o aborto e o que poderá ocorrer com a eutanásia. Diz ele: “É muito fácil usar casos muito preocupantes para permitir circunstâncias excepcionais que se convertem com bastante rapidez em norma. E então se pressionam as pessoas para porem fim à sua vida, porque elas são uma carga para seus familiares. E assim sucessivamente”. Denunciou que o mesmo poderia ocorrer como com o aborto, “que passou de algo relacionado com a saúde da mãe para uma variedade a mais de anticoncepção”


Jacob não se ilude quanto à dificuldade que há em defender sua fé como político: “Creio que vivemos em um mundo cada vez mais secular, apesar de um grande número de deputados ter crença religiosa. Mas a percepção é de que, como disse Alastair Campbell, ‘nós não nos ocupamos de Deus’, e isso tornou mais difícil que alguns políticos se sentissem cômodos em admitir sua fé”. Entretanto, ele assegura que Deus está acima de tudo, e que O defenderá sem medo: “Eu sou um filho fiel da Igreja”. 

Coerente com isso, esse destemido deputado participa habitualmente de retiros, e em suas leituras espirituais destacam-se a vida de santos e a Bíblia. Sempre que suas obrigações parlamentares lhe permitem, ele assiste à Missa tradicional, segundo o rito extraordinário, no qual também se casou.

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1 de agosto de 2017

AGERE CONTRA


Paulo Roberto Campos


A instituição da família é uma das mais vilipendiadas por movimentos revolucionários, propagadores de projetos ideológicos opostos aos ensinamentos tradicionais do Magistério da Igreja. O que eles visam é a desagregação da família e mesmo a sua extinção, por exemplo, por meio do estabelecimento do “casamento” entre duplas do mesmo sexo ou da antinatural Ideologia de Gênero

Assim, adeptos que somos do princípio do “Agere Contra” — tese muito estimada e pregada por Santo Inácio de Loyola, que consiste em agir contra os males mais propalados no momento —, precisamos sempre agir de modo contrário à onda impulsionada em nossos dias por tais movimentos. Neste sentido, o “Agere Contra” consiste remarmos contra a corrente, atuando de modo oposto aos arautos da desagregação da família. 

Com o objetivo de fortalecer a instituição familiar, reproduzimos a seguir trecho de uma alocução do Papa Pio XII [foto abaixo], em 5 de Janeiro de 1941, extraído do documento Discorsi e Radiomessaggi di Sua Santità Pio XII, Tipografia Poliglotta Vaticana, pp. 364-366.


AMBIENTE PRIVILEGIADO DA FAMÍLIA



“É fato que Cristo Nosso Senhor preferiu, para conforto dos pobres, vir ao mundo desprovido de tudo, e crescer numa família de simples operários; mas é igualmente verdadeiro que Ele quis, com o seu nascimento, honrar a mais nobre e ilustre das casas de Israel, a própria estirpe de David.
Por isso, fiéis ao espírito d'Aquele do qual são Vigários, os Sumos Pontífices sempre tiveram em alta consideração o Patriciado e a Nobreza romana, cujos sentimentos de inalterável adesão a esta Sé Apostólica constituem a parte mais preciosa da herança recebida dos seus antepassados, e que eles mesmos transmitirão aos seus filhos.
Desta grande e misteriosa coisa que é a hereditariedade — quer dizer, o passar através de uma estirpe, perpetuando-se de geração em geração, um rico acervo de bens materiais e espirituais; a continuidade de um mesmo tipo físico e moral, conservando-se de pai para filho; a tradição que une através dos séculos os membros de uma mesma família — desta hereditariedade, dizemos, pode-se sem dúvida distorcer a verdadeira natureza com teorias materialistas. Mas pode-se também, e deve-se, considerar esta realidade de tão grande importância, na plenitude da sua verdade humana e sobrenatural.
Por certo, não se negará à transmissão dos caracteres hereditários um substrato material; considerar tal fato surpreendente seria esquecer a união íntima da nossa alma com o nosso corpo, e em quão larga medida as nossas próprias atividades mais espirituais dependem do nosso temperamento físico. Por isso a moral cristã não deixa de lembrar aos pais as grandes responsabilidades que lhes cabem a esse respeito.
Porém o que mais vale é a herança espiritual, transmitida não tanto por esses misteriosos liames da geração material, quanto pela ação permanente daquele ambiente privilegiado que constitui a família; com a lenta e profunda formação das almas, na atmosfera de um lar rico de altas tradições intelectuais, morais e sobretudo cristãs; com a mútua influência existente entre os que moram numa mesma casa, influência esta cujos benéficos efeitos se prolongam para muito além dos anos da infância e da juventude, até alcançar o termo de uma longa vida, naquelas almas eleitas que sabem fundir em si mesmas os tesouros de uma preciosa hereditariedade com o contributo das suas próprias qualidades e experiências.
Tal é o património, mais do que todos precioso, que, iluminado por firme Fé, vivificado por forte e fiel prática da vida cristã em todas as suas exigências, elevará, aprimorará, enriquecerá as almas dos vossos filhos.
 [...]
Aos anciãos, guardiães das nobres tradições familiares e fachos de sábia experiência para os mais novos; aos pais e às mães, mestres e exemplos de virtude para os filhos e filhas; aos jovens que crescem puros, sãos, operosos, no santo temor de Deus, esperanças da família e da pátria querida; aos pequenos que sonham com o futuro dos seus projetos nos impulsos e nos jogos da infância; a vós todos que gozais e participais da concórdia e da alegria familiares, apresentamos paternais e vivas felicitações, que correspondam ao desejo de cada um e cada uma de vós, lembrados de que todos os nossos anseios são sempre avaliados e pesados por Deus na balança do nosso maior bem, na qual em geral tem menor peso aquilo que nós pedimos do que aquilo que Ele nos concede”.

17 de julho de 2017

Suicídios na juventude. Por quê?


Paulo Henrique Américo de Araújo (*)

No vocabulário de expressões modernas surgiu mais uma novidade: o jogo da “Baleia Azul”. Ao contrário do que seu nome sugere, não há inocência por detrás de tal brincadeira. Ela pode até levar um jovem ao suicídio, caso a vítima aceite os desafios propostos por um desconhecido online, controlador do jogo. 

No mês de maio último, a polícia encontrou alguns adolescentes à beira de uma rodovia no Distrito Federal.[1] Chorando de desespero, eles procuravam cumprir a última etapa da “baleia azul”: atirar-se na frente de um ônibus em alta velocidade! 


Em outros casos, não houve tempo de salvar a vítima. 

A onda do macabro jogo é provavelmente passageira e parece que vai saindo “de moda”. Mas um assunto de maior vulto relaciona-se diretamente com ele. Por que adolescentes suicidam-se cada vez mais? 


Calculando a dimensão do problema

Segundo recente artigo da "BBC Brasil",[2] um estudo baseado em dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, revela dados preocupantes. A primeira informação: considerando toda a população brasileira, entre 1980 e 2014, houve um aumento de 60% na taxa de suicídios. 

Quanto aos dados relativos à população jovem, o mesmo artigo reproduz o que diz o estudo: “Em 1980, a taxa de suicídios na faixa etária de 15 a 29 anos era de 4,4 por 100 mil habitantes; chegou a 4,1 em 1990 e a 4,5 em 2000”. Já no período entre 2002 e 2014, a taxa subiu de 5,1 para 5,6 por 100 mil habitantes. O estudo conclui: “Assim, entre 1980 a 2014, houve um crescimento de 27,2%” na taxa de suicídios, considerando a mesma faixa de idade. 

Para se ter uma ideia mais concreta do que tais números representam, a mesma pesquisa mostra que em 2014, houve, somente no Brasil, 2.898 suicídios de jovens de 15 a 29 anos. 

Insisto, pois a questão se impõe: por que tantos jovens acabam com a própria vida? 

É importante fazer notar, antes de tudo, que o artigo citado tenta fornecer algumas respostas à pergunta acima, usando declarações de diversos sociólogos e psicólogos. Segundo esses especialistas, “o problema é normalmente associado a fatores como depressão, abuso de drogas e álcool, além das chamadas questões interpessoais, violência sexual, abusos, violência doméstica e bullying”

De fato, podemos encontrar tais causas por detrás dos suicídios. Contudo, o que impele um jovem a usar drogas, por exemplo, ou o que ocasiona sua depressão? Qual é a raiz da violência doméstica? 

A falta da noção do sofrimento na vida

O mais fundo do problema reside, sem dúvida, na decadência moral generalizada do mundo contemporâneo. Essa decadência afeta diretamente a constituição da família. Se a família se desfaz, é inevitável a propensão do jovem para as drogas e a violência, de um lado; e sua menor capacidade, por outro lado, de suportar as dificuldades quotidianas, cujo desfecho pode ser a depressão.

Há mais um fator, ignorado pelo artigo da BBC: o mundo contemporâneo oferece sem cessar múltiplos divertimentos e prazeres. Sendo a juventude o grupo que mais deveria se “beneficiar” deles, a lógica conclui que, quanto mais jovem, maior o desejo de aproveitar a vida e, portanto, mais afastada a hipótese de suicídio. 

Contudo, não é o que ocorre na prática. E aqui fica desmascarada uma grande ilusão de nossos dias: quanto mais gozo da vida, mais felicidade. Se assim fosse, deveria haver menos suicídios, sobretudo entre os jovens.

Volto ao jogo da “Baleia Azul”. Supostamente, jovens conectados à internet têm diante de si possibilidades ilimitadas de entretenimento. Diversões fáceis e constantes, sempre mais almejadas. No banquete frenético de diversões aparece outra: um jogo de desafios cada vez mais ousados. O último deles termina em suicídio. 

Assim, a saturação dos prazeres leva à frustração, a qual, por sua vez, provoca a busca intensa de novidades e entretenimento. Diversões, festas e jogos em demasia... decepção, desespero, suicídio! 

E não adianta dizer que os suicídios atingem jovens das classes baixas ou com menos oportunidades na vida. O artigo mencionado demonstra que jovens considerados de elite, como estudantes de medicina, pertencem também às estatísticas de suicídio. E não nos esqueçamos do grande número de viciados em drogas entre a juventude das classes mais altas. 

Revela-se aqui uma das maiores causas do suicídio juvenil: a hipertrofia dos prazeres — incentivada pela grande mídia e pela pedagogia moderna, como o ensino da chamada Ideologia de Gênero —, que além de rejeitarem e negarem a ideia do sofrimento e, por conseguinte, do pecado, criam um circuito de ilusões na mente dos jovens. O pecado leva a outro pecado, e como consequência surge o fantasma dos problemas de consciência, sofrimento interior... suicídio!

A admirável lição de Santa Teresinha

O que fazer diante dessa constatação? Talvez uma rápida lição de santidade deite um pouco de luz nessas sombras. 

Abro a famosa História de uma Alma, autobiografia de Santa Teresinha do Menino Jesus, e leio o seguinte trecho sobre sua juventude: “Tudo, ao redor de mim, era alegria e felicidade; eu era festejada, acariciada, admirada, numa palavra, [...] minha vida foi semeada só de flores... Confesso que esta vida tinha encantos para mim”.[3] 

A “pequena santa” [na foto, aos 8 anos de idade] de Lisieux reconhece os atrativos e os prazeres da juventude. Mas logo adiante — algo negado à juventude moderna — vem a reflexão serena e coerente: “Aos dez anos o coração deixa-se facilmente fascinar, por isso considero uma grande graça não ter ficado em Alençon; os amigos que tínhamos aí eram muito mundanos, [...] Não pensavam bastante na morte e, no entanto, a morte veio visitar um grande número de pessoas jovens, ricas e felizes, que conheci!!!”


Eis aí uma lição a ser ensinada aos jovens de hoje. Os momentos de felicidade são transitórios e muitas vezes ilusórios. A vida não se constitui só de prazeres. E estes devem ser moderados e regulados segundo a moral. É necessário ter diante de si as dificuldades e os sofrimentos de todos os dias. Saber enfrentá-los reverte-se em eficaz remédio contra a frustração, o desespero, e, por fim, o suicídio. 

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Notas:
(*) Fonte: Revista Catolicismo, nº 799, julho/2017. Para se fazer assinatura da revista envie e-mail para: catolicismo@terra.com.br

1. http://www.jornaldebrasilia.com.br/cidades/pmdf-impede-suicidio-de-quatro-adolescentes-que-participavam-do-baleia-azul/
2. http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39672513 
3. Manuscritos autobiográficos, 2ª edição, Cotia – SP, 1960, p. 100.

5 de julho de 2017

Preocupações concernentes à situação do mundo e da igreja

Entrevista publicada na 
Revista Catolicismo, nº 799, Julho/2017 

“Nossa Senhora também disse que Portugal jamais perderia a Fé. E eu vejo isso se estendendo também ao Brasil, porque a união entre Portugal e o Brasil é simplesmente muito estreita.” 


O Emmo. Cardeal Raymond Leo Burke nasceu no dia 30 de junho de 1948 em Richland Center (Wisconsin, EUA) e cursou o seminário Holy Cross e a Catholic University of America em Washington. Completou seus estudos de Direito Canônico na Universidade Gregoriana de Roma em 1971. Ordenou-se sacerdote quatro anos depois. O Papa João Paulo II nomeou-o bispo de La Crosse em 1994 e arcebispo de St. Louis em 2003. Bento XVI elevou-o ao cardinalato em 2010. Durante cinco anos — até 2015 — ocupou o cargo de Prefeito do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica, sendo atualmente Patrono da Ordem Soberana e Militar de Malta. O insigne Purpurado é uma voz proeminente nos ambientes conservadores, especialmente em assuntos atinentes à Igreja, à família e à situação norte-americana. Em sua recente visita ao Brasil, o Cardeal Burke passou pelas capitais do Pará, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo para lançamento de seu livro O Amor Divino Encarnado – A Sagrada Eucaristia como Sacramento da Caridade [para a reportagem click aqui] —, obra que revela profunda devoção eucarística. Catolicismo obteve uma entrevista exclusiva por meio de nosso colaborador Dr. Mario Navarro da Costa, na sede do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira.

*      *      * 
“Fiquei muito impressionado com o entusiasmo 
das pessoas. Pude constatar que são fiéis católicos 
muito ardorosos, desejosos de conhecer mais 
profundamente sua fé e também praticá-la”
Catolicismo — Eminência, muito obrigado por conceder esta entrevista à revista Catolicismo. Poderia dizer a nossos leitores se já conhecia o Brasil, qual o motivo desta visita a algumas cidades brasileiras e sua impressão sobre nosso País? 

Cardeal Burke — Esta é a minha primeira visita ao Brasil e o propósito dela foi apresentar a tradução em português de meu livro sobre a Sagrada Eucaristia, O Amor Divino Encarnado – A Sagrada Eucaristia como Sacramento da Caridade. Então escolhemos quatro cidades maiores nas quais o apresentaríamos. Sei que o País é muito grande e não poderia percorrê-lo todo, mas foi ótima esta primeira vinda aqui, ocasião em que percorri Belém, Brasília, Rio de Janeiro, e, finalmente, São Paulo. Fiquei muito impressionado com o entusiasmo das pessoas que vieram em grande número para a apresentação do livro. Falando com elas, pude constatar que são fiéis católicos muito ardorosos, desejosos de conhecer mais profundamente sua fé e também praticá-la.



“Diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida rezei especialmente pelo Brasil, porque 
estou convencido da importância do País 
em relação ao mundo inteiro, por causa de sua fé católica
Catolicismo —Neste ano em que comemoramos o 300º aniversário de Nossa Senhora Aparecida, soubemos que Vossa Eminência esteve no Santuário d’Ela. 

Cardeal Burke — Sim, eu pensei: “Eu não poderia vir ao Brasil e não visitar Nossa Senhora Aparecida”. Vindo do Rio de Janeiro para São Paulo, passei por Aparecida do Norte e, claro, o destaque da peregrinação foi rezar diretamente diante da sua imagem. Rezei especialmente pelo Brasil, porque estou convencido da importância do País em relação ao mundo inteiro, por causa de sua fé católica. Além de rezar nessa intenção, pude celebrar a Santa Missa num altar consagrado pelo Papa João Paulo II nas intenções dos católicos brasileiros.



“Creio firmemente que os portugueses têm uma missão muito importante a cumprir 
no mundo inteiro, em proclamar e ensinar a Mensagem de Fátima. 
E agora diria o mesmo em relação ao Brasil”
Catolicismo — Em suas viagens Vossa Eminência visita muitas paróquias e grupos católicos. Quais as preocupações gerais que habitualmente os fiéis lhe exprimem a respeito da situação do mundo e da Igreja?

Cardeal Burke — Os fiéis manifestam-se muito preocupados com a situação do mundo cada vez mais laico, com o cruel ataque a vidas humanas inocentes de nascituros indefesos através do aborto, a generalização da prática da eutanásia, e até a negação da liberdade da Igreja de prosseguir com integridade a sua missão. E, mais recentemente, esta enormidade denominada “teoria de gênero”, pela qual as pessoas tão presunçosas pensam poder redefinir nossa natureza sexual, que naturalmente se destina a juntar homem e mulher em uma vida inteira de fiel união, à qual Deus concede o dom da vida humana. Com a introdução dessa terrível teoria, nossa natureza sexual será reduzida a uma espécie de avenida de luxúria e de graves atos imorais. 

Todos esses fiéis veem isso, que constitui escândalo para eles, fonte de profundas angústias, porque veem seus filhos e netos crescendo nesse mundo, causa de não pequenas preocupações, pois ficam sem saber se permanecerão fiéis a Nosso Senhor ou se vão cair nessa grande infelicidade da vida de pecado. Sobretudo em nossos dias, em que tanta confusão penetra até na própria Igreja. Por exemplo, está acontecendo toda essa confusão sobre atos intrinsecamente maus quanto à possibilidade de se receber a Sagrada Comunhão sem se confessar, apesar de a pessoa se encontrar em pecado mortal. 

Todas essas questões fundamentais estão sendo postas em dúvida e causam, é claro, grande angústia nas pessoas. Tenho viajado bastante, limito-me a apresentar o ensinamento básico da Igreja e as pessoas ficam gratas ao ouvi-lo. Eu sempre lhes digo: “Nada tenho de novo a lhes oferecer, o que tenho a lhes oferecer é o que continua sempre novo, ou seja, as verdades de nossa Fé”. 



“Está se dando toda essa confusão sobre atos intrinsecamente maus quanto à possibilidade 
de se receber a Sagrada Comunhão sem se confessar, 
apesar de a pessoa continuar em pecado mortal”
Catolicismo — A viagem de Vossa Eminência ao Brasil está se dando no centenário das aparições e da Mensagem de Fátima, das quais os brasileiros sentem-se muito próximos — não somente pelos laços históricos e psicológicos que os unem a Portugal, mas também porque nosso povo nutre grande devoção por Nossa Senhora. E agora também, devido ao milagre que permitiu a canonização dos bem-aventurados Francisco e Jacinta Marto, com a cura de um menino brasileiro. Vossa Eminência julga que as revelações de Fátima se referem somente ao século XX, ou elas têm atualidade para os católicos de hoje? 

Cardeal Burke — Elas são absolutamente relevantes para os dias de hoje, porque estão no centro da luta fundamental à qual Nossa Senhora se refere em sua mensagem: luta da fé, luta da Igreja contra as forças do mal, contra as forças do secularismo, do ateísmo, do relativismo, que nada mais fizeram senão continuar ao longo das décadas — agora faz um século — das aparições. Por ocasião deste centenário, fui estudar de novo toda a história das aparições e da mensagem, e as julgo mais oportunas do que nunca, as julgo de grande importância. Sobretudo na presente crise na Igreja, em que parece haver uma confusão e uma divisão se estabelecendo, o apelo de Nossa Senhora é para mantermos a fé na sua integridade, rezar, em especial o Santo Rosário, amar e participar da santa Eucaristia, particularmente nos primeiros sábados do mês, para nos fortificarmos e permanecermos próximos de Nosso Senhor nestes tempos muito terríveis. Nossa Senhora também disse que Portugal jamais perderia a Fé. E eu vejo isso se estendendo também ao Brasil, porque a união entre Portugal e o Brasil é simplesmente muito estreita. Em uma recente apresentação que fiz para o Rome Life Forum, eu disse crer firmemente que os portugueses, e especialmente os bispos portugueses, têm uma missão muito importante a cumprir no mundo inteiro, em proclamar e ensinar a Mensagem de Fátima. E agora diria o mesmo em relação ao Brasil. 


“Julgo [as aparições de Fátima] mais oportunas do que nunca, de grande importância 
— sobretudo na presente crise na Igreja, em que parece haver 
uma confusão e uma divisão se estabelecendo”
Catolicismo — Numa carta ao Cardeal Carlo Cafarra, a Irmã Lúcia afirmou: “A batalha final entre o Senhor e o reino do demônio será sobre o matrimônio e a família”. E que é para não temer, “porque Nossa Senhora já esmagou a cabeça de demônio”. Vossa Eminência confirma essa apreciação? Em caso positivo, a propósito de que assuntos a batalha é atualmente mais forte, e como os fiéis poderão ser bons soldados de Cristo? 

Cardeal Burke — Eu acho que a luta continua sendo em grande parte a batalha pelo matrimônio e pela família. E julgo que a Irmã Lúcia, ao escrever ao então padre Carlo Caffarra — agora Cardeal —, ela disse para não perder a esperança. Mas ela não afirmou que a luta havia acabado! Em outras palavras, sabemos que a vitória será o triunfo do Coração Imaculado de Nossa Senhora, o triunfo de Nosso Senhor, mas penso que ainda virão muitos sofrimentos. Por exemplo, a “teoria de gênero”, que agora está se tornando tão disseminada nos Estados Unidos. Eles impõem isso no currículo das escolas, de modo que as crianças de muito tenra idade estão aprendendo que podem mudar o seu gênero. Essas coisas são simplesmente inimagináveis! Então eu penso que a batalha pelo matrimônio e pela família continua. Precisamos ter essa esperança que a Irmã Lúcia nos encoraja a ter, mas ao mesmo tempo saber que há uma luta na qual nos sentimos engajados. 



“Nossa Senhora também disse que Portugal
jamais perderia a Fé. E eu vejo isso se estendendo
também ao Brasil, porque a união entre Portugal e o Brasil
é simplesmente muito estreita.”
Catolicismo — Vossa Eminência julga que no mundo atual é importante para os católicos a Sagrada Escravidão a Nossa Senhora segundo o método de São Luís Grignion de Montfort? Em caso afirmativo, por que razões?

Cardeal Burke — Tornamo-nos escravos de Nossa Senhora para sermos discípulos fiéis de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nossa Senhora pertenceu a Nosso Senhor completa e totalmente desde o primeiro instante da concepção. Ela foi preservada de toda mancha do pecado original. Ela concebeu Nosso Senhor sob a sombra do Espírito Santo e O trouxe ao mundo sob o seu Imaculado Coração. Ela foi a primeira e melhor discípula d’Ele. O coração d’Ela foi misticamente transpassado ao pé da cruz pela lança do soldado romano que feriu o Sagrado Coração de Jesus. E Nossa Senhora nos ensina a ser totalmente de Nosso Senhor. Suas últimas palavras registradas no Evangelho foram nas Bodas de Caná, quando Ela disse ao mordomo do vinho para fazer tudo o que Ele lhe mandasse. Assim, queremos ser completamente um só coração com a nossa bem-aventurada Mãe, ser escravos no melhor sentido da palavra, pois damos a Ela todo o nosso coração. Porque com Ela podemos dar todo nosso o coração ao Sagrado Coração de Jesus.

4 de julho de 2017

Cardeal Burke lança livro no Brasil


O Cardeal Burke ofereceu ao Príncipe Dom Bertrand e ao  Instituto Plinio Corrêa de Oliveira belas reproduções da Imagem do Sagrado Coração de Jesus que se encontra em sua capela particular em Roma.

Hélio Brambilla
Matéria publicada na 
Revista Catolicismo, nº 799, Julho/2017 

Após visitar Belém, Brasília e Rio de Janeiro, onde lançou em auditórios repletos seu recente livro O Amor Divino Encarnado. A Sagrada Eucaristia como Sacramento da Caridade, o Cardeal Raymond Burke viajou para São Paulo, desenvolvendo durante três dias diversas atividades na capital bandeirante. 

Convém ressaltar a presença de grande número de jovens nos eventos promovidos nas quatro capitais percorridas, o que demonstra o caráter conservador que vem se verificando em consideráveis faixas da juventude. O Cardeal Burke também visitou algumas instituições, entre as quais o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, onde concedeu no último dia 20 entrevistas ao site Fratres in Unum e à revista Catolicismo

Na sede do Instituto, o eminente purpurado foi saudado pelo jovem Guilherme Martins [foto ao lado], que lhe manifestou o agradecimento da instituição e de seus membros pela honrosa visita, ao longo da qual Sua Eminência manteve cordial contato com seus diretores, colaboradores e o numeroso público que compareceu à recepção. 


O Cardeal respondeu afirmando que por todas as cidades pelas quais passou nesta viagem ao Brasil, encontrou muita afeição pela Santa Igreja e pela sua pessoa. Em seguida alertou que vivemos tempos muito difíceis, em que reina a confusão. Mas que nós, católicos, não podemos estar confundidos, pois conhecemos a doutrina da Igreja, contida nos catecismos, e sabemos o que Nosso Senhor sempre nos ensinou. E, por isso, não podemos ficar desencorajados. Disse que em todos os lugares por onde viaja encontra fiéis católicos desejosos somente de saber o que Nosso Senhor ensinou, e que ele apenas repete o que Jesus sempre ordenou. Assim, o Cardeal encorajou os presentes a darem testemunho da fé em todas as suas atividades, e a defendê-la valorosamente.


Afirmou ainda o ilustre Purpurado: “Numa entrevista à revista Catolicismo, eu comentei que Portugal e os bispos do país têm uma missão muito importante de comunicar a Mensagem de Fátima aos fiéis do mundo inteiro. Vindo ao Brasil, e vendo quão forte é o amor que o povo brasileiro tem pela nossa Santa Mãe e compreendendo melhor a ligação tão próxima do Brasil com Portugal, estou convencido de que não é missão só de Portugal, mas também do Brasil e dos bispos brasileiros.” 
O Cardeal encerrou suas palavras dizendo que quando esteve em Aparecida (no último dia 19), teve a graça de rezar diante da Imagem de Nossa Senhora e pediu pelas necessidades da Igreja no mundo inteiro e muito especialmente pelo Brasil, pelos católicos brasileiros. Incentivou todos os presentes a terem uma devoção muito particular ao Rosário e à difusão da Mensagem de Fátima. 
A benção cardinalícia aos membros do Instituto reunidos nesta sala e aos demais presentes ao evento agrupados em salões próximos [fotos no final desta reportagem]

Ainda na capital paulista, o Cardeal Burke presidiu no Hotel Renaissance ao lançamento de seu livro O Amor Divino Encarnado, numa sessão em que esteve ladeado pelo Pe. Jean Paulo Rossi, que o saudou em nome da Arquidiocese, e pelo Sr. Thomas McKenna, presidente da associação Cath
Entrada do Cardeal no auditório
do Hotel Renaissance
olic Action for Faith and Family
[foto abaixo] e editor do livro em apreço, cujo significado enalteceu. O evento foi prestigiado pela presença do Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança e de numerosos sacerdotes e religiosas. 


Sua Eminência externou inicialmente o seu agradecimento ao Cardeal Robert Sarah, por ter prefaciado sua obra, e em seguida saudou o numeroso público presente. Discorreu sobre sua infância e sua vida em família, que serviu para ilustrar a tese que defende no livro. 

O ilustre expositor narrou que nasceu numa small farm (pequena fazenda) e viveu com os seus numa atmosfera inocente e abençoada da vida no campo. Segundo ele, já no sábado começava-se a sentir o clima de respeito e sacralidade pelo domingo, com as práticas religiosas e a Santa Missa que renovava de forma incruenta o sacrifício do calvário. As famílias trajavam-se com as melhores roupas e dirigiam-se para a igreja com espírito de oração e sacralidade. Assistiam ao Santo Sacrifício com todo o respeito, entoando os cânticos gregorianos e outras canções sacras, comungavam com muita piedade. Depois voltavam para casa em espírito de recolhimento, continuando o dia naquela atmosfera nimbada de sobrenatural. 


Aos 10 anos tornou-se coroinha de sua paróquia, fato que o ajudou a consolidar muito a sua fé católica. Aos 14 anos, já no Seminário Menor, ganhou o Liber Usualis com os cantos gregorianos que marcaram profundamente sua piedade litúrgica. 

O ambiente religioso, o edifício sagrado da igreja, os paramentos, os utensílios, tudo falava do sobrenatural e dos mistérios da fé. Logo depois começou uma mudança radical no ambiente católico: os altares foram modernizados, assim como paramentos, utensílios etc. Tudo foi “renovado”, descaracterizando-se totalmente o aspecto sacral das igrejas. 


As Missas e os ofícios religiosos, que sempre lotavam as igrejas no tempo de sua infância, foram se esvaziando com as mudanças. Estatísticas sérias provam que entre 80 e 90% dos católicos assistiam à Missa antigamente; e que agora no máximo 30% o fazem. Ainda mais grave é que 50% dos católicos não têm mais fé na Sagrada Eucaristia. 

Tudo em nome do “Espírito do Concílio”, e com isso o vendaval de reformas provocou a “descontinuidade da tradição”. Foi no intuito de restabelecer a doutrina perene da Igreja sobre as excelências do sacramento da Eucaristia que o Cardeal Burke escreveu o livro recentemente lançado. 


No final da sessão, como de costume, ele fez numerosas dedicatórias de sua obra [fotos no final]. Em primeiro lugar, para o representante da Arquidiocese e depois para o Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança, que foi aplaudido de pé ao ter seu nome mencionado. Em seguida, para os sacerdotes, religiosas e pessoas sorteadas.


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Seguem algumas fotos da recepção ao Cardeal Burke na Sede do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira e fotos da conferência de Sua Eminência no Hotel Renaissance. Click na primeira imagem para percorrer a "galeria" de fotos.
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