10 de janeiro de 2017

Por que tanta vontade de trucidar nascituros?




Padre David Francisquini (*)

Às vésperas do Natal, a partir do caso específico de suspensão da prisão preventiva de pessoas que trabalhavam numa clínica clandestina de aborto no Rio de Janeiro, o Supremo Tribunal Federal acabou por liberar a sua prática até os três meses de gestação, fato que vem provocando acirrada polêmica no País. 

Abortar constitui crime não apenas para um católico, mas para todos os homens, em todos os tempos e lugares, como decorrência da Lei natural, pois ninguém tem o direito de praticá-lo simplesmente pelo fato de formar opinião individual de que o mesmo não importa em crime. 

Com efeito, os princípios da lei natural inscritos nos corações de todos os homens são acessíveis à razão e se impõem a todos, independentemente de suas crenças religiosas — ou descrenças —, ainda que eles ocupem situação de preeminência na vida social, política ou mesmo no Judiciário.

Vimos verificando que o Estado brasileiro, apesar de se dizer laico ou neutro, acaba por impor sua ideologia pela introdução de leis ao gosto de minorias que postulam uma vida social e pública desvinculada de qualquer fator religioso, contrariando, aliás, o Direito natural e divino. 

Trata-se de um confessionalismo ideológico agnóstico e laico, de um estranho estado de direito democrático e pluralista, no qual, na prática, apenas os ditos incrédulos modelam e impõem as leis a seu talante. Nesse sentido, foi significativa a decisão — na calada da noite — da nossa Suprema Corte sobre o aborto.

No exato momento em que, desdenhando as cinzas do sanguinário ditador Fidel Castro, cultuadas em Cuba por dois ex-presidentes petistas, o Brasil enlutado pranteava a tragédia ocorrida com o time da Chapecoense, algo de muito mais trágico acontecia entre as quatro paredes do STF: a descriminalização do aborto até o terceiro mês de gestação, condenando, ipso facto, milhões de brasileiros indefesos à morte atroz. 

Quando os egrégios ministros do STF deveriam estar voltados contra a corrupção que se alastrou em todos os campos da sociedade brasileira, sobretudo no meio político, sua preocupação era paradoxalmente de autorizar o crime contra os inocentes. 

Apenas para recordar, o caso ocorrido na clínica clandestina carioca foi parar no STF, onde o Ministro Marco Aurélio Melo votou pela liberdade dos funcionários por entender que não cabia prisão preventiva. Contudo, o Ministro Luís Roberto Barroso [foto ao lado] apresentou um voto ampliado, descriminalizando, na prática, o aborto. 

Recordemos ainda que, antes de se tornar Ministro do STF, o Dr. Luís Roberto Barroso, quando ainda advogava, impetrou ação que passou a vigorar contra os anencefálicos, pondo assim a guilhotina para funcionar contra as crianças portadoras de deficiências, alegando tratar-se de duro fardo para as mães de filhos especiais. 

É a primeira vez na História do Brasil que o aborto amplo e irrestrito passa a vigorar juntamente com o aborto decorrente de estupros. Do alto de seu “notável saber jurídico e reputação ilibada”, o Dr. Barroso, elevado à condição de ministro do STF, ao favorecer a causa do aborto passou a trabalhar à revelia das disposições constitucionais que garantem a inviolabilidade do direito à vida. 

Seus argumentos são lastreados nos jargões mais surrados dos defensores do aborto um pouco por todo o mundo, ou seja, que sua criminalização é incompatível com os direitos fundamentais da mulher, entre eles os sexuais e reprodutivos, bem como de sua autonomia e integridade física e psíquica, além dos da igualdade. 

Isso tem como base o pressuposto hedonista, segundo o qual a vida sexual seria destinada ao prazer das partes, e não relacionada com a vida em família e a procriação e a vida em família. 

Ao alegar que só a mulher engravida, o Sr. Ministro acaba por minimizar o direito fundamental de todo ser humano, direito inalienável decorrente de sua própria constituição enquanto ser racional e volitivo, ontológico e com direito à vida.

Do ato entre um homem e uma mulher é gerado um novo ser, que deve ser respeitado e garantido pela própria Constituição e pelo Supremo Tribunal, ao invés de ser simplesmente eliminado. Todos os tratadistas de filosofia aristotélico-tomista defendem o direito à vida como direito fundamental do próprio ser racional. 

Por exemplo, como se explica tanto alarde contra quem “assassina” uma capivara ou uma sucuri — crime qualificado como inafiançável — enquanto exime de toda responsabilidade quem pratica um aborto em nome do “direito” da mulher de decidir sobre a manutenção de sua gravidez, porque somente ela pode conceber? 

Por que tanta vontade de trucidar nascituros? Será que, data venia, o Sr. Ministro está a serviço de minorias ideologizadas, que recorrem à Justiça para mudar leis e costumes nos moldes da ativista colombiana Mónica Roia, visando um impacto sentimental para mover a opinião pública?

Parece ter sido este o ponto de convergência entre os ministros, que a Suprema Corte acolheu. Nada disso é novo, pois esta cantilena foi denunciada há muito em meu livro Catecismo contra o aborto (Capítulo VII – Aborto, Saúde Pública e Estado Leigo – p. 37, Artpress, 2009). 

Que os parlamentares abram os olhos para o delineamento de um ativismo ditatorial do Judiciário em prol do aborto, se não quiserem perder a prerrogativa de legisladores. Na realidade, estamos assistindo à maior debilitação do vínculo familiar, com a consequente destruição da família instituída pelo Redentor da Humanidade, Nosso Senhor Jesus Cristo. 

Cumpre, portanto, fazer valer o direito da Santa Igreja de ser ouvida. Direito que não está vinculado a maioria alguma, mas à suma autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que também foi Mestre, independentemente de as multidões O aclamarem.
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(*) Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria — Cardoso Moreira (RJ).

24 de dezembro de 2016

BOM NATAL E BOM COMBATE


Paulo Roberto Campos

Com meus votos de um Santo, Abençoado e Feliz Natal a todos nossos Amigos, leitores do Blog da Família, rogo, de todo coração, à Sagrada Família — Jesus, Maria e José — que lhes conceda as mais preciosas graças e bênçãos, protegendo particularmente seus lares e suas famílias.

Mais do que nunca necessitamos dessa proteção divina para se enfrentar tantas crises que neste ano de 2016 desabaram como sinistras tempestades em nosso País. Mas, sem dúvida, as crises morais são as que causaram os maiores danos. A corrupção nos meios políticos, empresarias etc. estão sendo reveladas de modo a não pairar qualquer dúvida, entretanto, também a corrupção moral avançou torrencialmente. 


Para que sejamos de modo especial protegidos pela Sagrada Família devemos lutar por Ela. Isso no sentido de que devemos defender com intrepidez os valores de uma civilização autenticamente católica — valores que vêm sendo relativizados e vilipendiados a cada ano de modo mais odioso.

Ainda há pouco, assistimos uma mostra do ódio contra o que resta de civilização cristã em nossos dias: o atentado perpetrado pelo terrorismo islâmico na Alemanha. O tunisiano maometano que covardemente acelerou o enorme caminhão sobre uma Feira de Natal em Berlim para matar o maior número possível dos frequentadores, esmagando pessoas e símbolos natalinos, como as evocativas árvores de Natal. 

Como se sabe, nesse período do ano esses encantadores Mercados de Natal — por vezes com suas barracas cobertas por um virginal manto de neve — são muito concorridos apesar do intenso frio. Nelas os frequentadores compram chocolates, decorações natalinas, brinquedos para as crianças, enquanto tomam um excelente vinho quente ou saboreiam diversas iguarias que os alemães levam às fornalhas para comemorar o Natal. 

Pesquisando sobre esses bons costumes natalinos, especialmente dos europeus com as Feiras de Natal, encontrei um artigo com uma bela descrição desse tradicional hábito numa das cidades alemãs. É de autoria de uma jornalista que esteve presente num Mercado de Natal em Siegburg (Alemanha). Juguei que nossos leitores apreciariam tal descrição para reavivar o espírito de Natal, que não podemos deixar morrer, e, por isso, abaixo reproduzo o artigo. 

Faço tal reprodução no sentido de uma reparação ao ato infame de terrorismo praticado por sequazes de Maomé, que também em outros países do Velho Continente têm depredado e incendiado Presépios e Árvores de Natal, outrora chamadas de “Árvores de Cristo”. 

Aproveito para agradecer a todos pelos incentivos a continuar o bom combate pela instituição familiar por meio de nosso blog e para igualmente incentivar a todos a intensificarem esse bom combate em 2017. Bom Ano Novo!

Cidades alemãs revivem espírito de vida medieval em feiras no Natal

Nádia Pontes 
“Folha de S. Paulo”, 24 de dezembro de 2010

BONN — A sensação é de estar dentro do roteiro de um filme antigo: a feira de Natal da pequena Siegburg, oeste da Alemanha, revive a tradição da Idade Média e abre mão do conforto da modernidade. 


O mercado ao ar livre, com tendas cobertas por tecido e iluminado com velas, movimenta o distrito de pouco mais de 42 mil habitantes. Até a véspera do feriado cristão, passariam pelo local mais de 500 mil turistas, nada intimidados pela temporada prematura de neve. O ambiente medieval recriado na praça central conta com artesãos, comerciantes e artistas que preservam os costumes daquele tempo. A sociedade Kramer Zunft und Kurtzweyl, que congrega estudiosos e simpatizantes do espírito de vida medieval, traz expositores de toda a Alemanha. 

As barracas de comidas e bebidas são as mais movimentadas. A que vende pães acumula a maior fila — o forno de pedra leva mais tempo para esquentar. Entre os doces, as amêndoas torradas e maçãs fritas são os mais populares. Sob a meia luz das velas, pode-se também experimentar cogumelos frescos cozidos e o típico salsichão tão apreciado pelos alemães. 

A bebida tradicional dos eventos no frio, o glühwein [fotos acima e ao lado] um tipo de vinho quente com especiarias, é servido em taças de barro. Um grupo de malabaristas brinca com fogo e acompanha o ritmo dos músicos com tambores, gaitas e violas. 

O fogo, aliás, é uma das estrelas do evento: é com a ajuda dele que os artesãos demonstram as técnicas medievais para forjar facas e outros utensílios domésticos. E é próximo às fogueiras armadas entre uma barraca e outra que as pessoas se amontoam para espantar o frio. 
Para as crianças, o carrossel de madeira é a diversão da festa — mas, na falta da eletricidade, é preciso usar a força dos pés para o brinquedo ganhar movimento. E, no centro da praça, o convite é feito em voz alta: a barraca de apostas dá prêmio para quem acertar em qual casinha o rato vai se esconder. 


Presentes como roupas medievais, artigos de couro, chapéus artesanais, velas trabalhadas e porcelanas enchem os olhos dos visitantes. Mas é preciso ter muitos euros à mão, já que não há máquina de cartão na feira. 

A feira em Siegburg existe desde 1992. “A secretária de turismo na época visitou uma feira organizada pela Kramer Zunft und Kurtzweyl e os convidou para fazer o evento aqui”, diz Jan Bitterberg, da agência de turismo. 

Quando o pequeno coro entoa músicas medievais na praça, o público mais assíduo começa a se dispersar. Os novatos então descobrem que aquele canto anuncia o fim da festa.










16 de dezembro de 2016

Em 1975, Mensagem da TFP ao Emmo. Cardeal Arns


Em novembro de 1975, a TFP divulgou em vários jornais — elencados abaixo(*) — uma mensagem enviada ao cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, então Arcebispo de São Paulo, sob o título "Não se iluda, Eminência". O documento alerta a Hierarquia eclesiástica para o vazio que em torno dela se vai fazendo, na medida em que esta bafeja a subversão comunista no Brasil. A seguir, a íntegra dessa mensagem, conforme encontra-se disponível no site
http://www.pliniocorreadeoliveira.info/

NÃO SE ILUDA, EMINÊNCIA 


SENHOR CARDEAL,

Distribuído nas igrejas do Estado de São Paulo, no último domingo, um documento subscrito em Itaici por todos os Srs. Bispos das Dioceses paulistas, intitulado “NÃO OPRIMAS TEU IRMÃO”, numerosas pessoas que acompanham com patriótica vigilância a escalada comunista e as iniciativas de repúdio que contra esta se desenvolvem, desejaram saber qual era, sobre o referido documento, o pensamento da TFP. Não poderíamos, pois, continuar em silêncio. 

O estudo daquele texto episcopal produziu em nosso espírito um profundo desconcerto, que pensávamos levar com respeito e franqueza ao conhecimento de Vossa Eminência.

Data vênia, fazemo-lo de público, respondendo assim, ao mesmo tempo, aos que sobre a matéria nos interrogam.

Começamos por ressaltar que no documento há aspectos bons. Pecaríamos contra a justiça se nos omitíssemos de os louvar, e nos cingíssemos à crítica. 

Por certo, os Pastores deste Estado cumprem a missão sobrenatural que lhes incumbe, ao manifestarem todo o seu zelo por que sejam integralmente respeitados, entre nós, os direitos naturais da criatura humana, definidos nos Dez Mandamentos da Lei de Deus.

Esta afirmação contém, na singeleza de seus termos, um dos mais lídimos elogios que, de um documento eclesiástico, se pode fazer. 

Convém que tal elogio fique inscrito logo no início da presente mensagem, para a omissão dele não ser tida como sintoma de paixão, unilateralidade e injustiça.

E tanto mais convém, Eminência, quanto é precisamente uma omissão desse gênero o grande defeito que deixa perplexa a TFP, no tocante ao recente documento episcopal de Itaici.
*       *       * 
Todo o povo brasileiro, intuitivo e lúcido, está consciente de que a Rússia e a China empreendem, em nossos dias, um esforço gigantesco de conquista ideológica, política e, por fim, militar, de todas as nações. O exemplo de Portugal, bem à vista de nossos olhos, impede, mesmo aos brasileiros mais desatentos, que esqueçam essa verdade. 

Além disso, recentes declarações das mais altas autoridades do País denunciaram a presença desse perigo dentro de nossas próprias fronteiras. Em seu discurso de 1º de agosto p.p., o Exmo. Sr. Presidente da República, General Ernesto Geisel, aludia à infiltração do comunismo nos partidos políticos. Depois dele, o ilustre e honrado General Ednardo D'Avila Mello, Comandante do II Exército, por ocasião das comemorações do Dia do Aviador, em São Paulo, em 23 de outubro último, e o nobre General Oscar Luís da Silva, Comandante do III Exército, na abertura do II Ciclo de Palestras promovido pela Ação Democrática Renovadora, em Porto Alegre, no dia 5 do corrente, alertaram o povo para o mesmo perigo. Por sua vez, o preclaro General Fritz Azevedo Manso, Chefe do Estado-Maior do Exército, discursando na 11ª Conferência dos Exércitos Americanos, realizada em Montevidéu no mês passado, denunciou a conjuração comunista em nível não só nacional, mas até continental. 

Estamos, pois, em face de um perigo que nenhum espírito lúcido e desapaixonado pode pôr em dúvida. Diante dele corre risco nossa própria condição de nação independente. Em semelhante conjuntura quais as duas grandes instituições com cujo apoio as autoridades podem e devem contar? As Forças Armadas e o Episcopado. 

Em face da subversão, vemos que se erguem com destemor patriótico as Forças Armadas, baluarte inestimável do País contra a violência, a corrupção, e a miséria que infelicitaram ontem o Chile, infelicitam hoje Portugal, e mantêm há décadas sob suas garras os povos de além da cortina de ferro e da cortina de bambu. 

E que faz, por sua vez, o Venerando Episcopado Nacional? Exceção feita de egrégias, mas poucas vozes, cala-se. E, enquanto a Nação toda fica à espera de um grande pronunciamento coletivo de seus Pastores em defesa da Civilização Cristã ameaçada pela subversão comunista, só romperam por meio de um pronunciamento conjunto o longo silêncio os Srs. Bispos de São Paulo.

De que modo o fizeram? 

Se o Episcopado paulista se mantivesse em posição imparcial, encareceria sobretudo o sentido profundamente cristão e patriótico da repressão ao comunismo, a necessidade e a urgência dela. Apontaria depois as falhas que em tal repressão encontrasse. 

Muito ao contrário, o que fizeram Vossa Eminência e os Srs. Bispos reunidos em Itaici? Deram a público um documento, talvez o mais enérgico da história eclesiástica brasileira (preferiríamos antes dizer o único documento violento da história eclesiástica brasileira), para, de começo a fim, criticar as Forças Armadas e a repressão que estas fazem ao fascismo vermelho. 

Por que, Eminência, esta unilateralidade, esta incompreensível inversão de valores?

Se a repressão, como vem sendo feita, tem dado ocasião a erros e excessos esporádicos, por que o documento coloca em máximo realce o aspecto esporádico, e omite o que é fundamental? 

O que é fundamental, Eminência, em matéria de comunismo, é que agentes subversivos estrangeiros articulam brasileiros transviados, para impor ao País o regime marxista, negador de todos os direitos humanos. 

Por que os signatários do documento de Itaici parecem não ver isso, e seu zelo se volta todo, não para a Pátria ameaçada, mas para a defesa dos direitos humanos de agentes da subversão, ou de pessoas suspeitas de tal?

É desconcertante tão espantosa omissão em Pastores de almas. A estes cabe certamente serem ciosos dos direitos individuais de suas ovelhas, ainda que se trate de subversivos, ou suspeitos de subversão. Porém, muito mais lhes cabe o desvelo por todo o rebanho, isto é, a população ordeira e laboriosa que os subversivos querem atirar na desgraça.
*      *       * 
Isto constatado, a natural sucessão das idéias nos leva a considerar outro ponto. Concerne este, não mais o que a mensagem de Itaici omite, mas o que ela diz.

A subversão tenta obviamente destruir todos os obstáculos que contra ela se levantam. Nos dias que correm, sua arma mais usada é a difamação, é a calúnia.

Há meses vem sendo metralhada pela calúnia a maior e mais atuante organização civil anticomunista brasileira, a TFP. Poucas vozes se ergueram nas fileiras do Episcopado para defendê-la.

De tempos para cá, uma campanha, ora surda, ora violenta, vem igualmente sendo desferida contra nossas gloriosas Forças Armadas, envolvendo até a ação valorosa e equilibrada de vários de seus chefes. Poucos, nas fileiras eclesiásticas, se levantaram contra tais ataques.

Ora, à vista desta campanha, e desta triste sucessão de omissões no tocante às Forças Armadas, o documento de Itaici que atitude toma? Faz causa comum com as invectivas da subversão. 
*       *       * 
Esta constatação estarrecedora ainda mais clara se torna à vista do modo por que o documento episcopal se refere aos alegados abusos da repressão anticomunista. 

Abusos, sempre os houve na História. E até na História da própria Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Cumpre denunciá-los e coibi-los. 

Mas, ao fazê-lo, importa sobretudo não condenar as instituições ou as atividades meritórias nas quais eles possam surgir. No entanto, a tendência a dramatizar tais abusos da repressão ao comunismo se nota nas próprias referências que o documento de Itaici a eles faz. 

Tendo por fundo de quadro o contexto omisso e marcadamente unilateral da mensagem de Itaici, essas graves acusações que efeito produzem sobre o público? Consiste ela obviamente em favorecer as mais graves calúnias contra as Forças Armadas e até mesmo contra as mais ilibadas e respeitáveis autoridades destas, que os meios subversivos põem em curso para impressionar o País! 

E oxalá fosse só o País. Todos sabemos que a mesma máquina de propaganda internacional responsável pela repercussão de declarações de certos Prelados, contrárias à situação brasileira, facilmente podem aproveitar-se do documento de Itaici para reavivar sua orquestração nociva ao renome do Brasil.
*       *       *
Eminência: estamos perplexos. Por que tais atitudes? 

Temos razão para recear que esta pergunta, que não é apenas nossa, mas de milhões de paulistas, fique sem resposta.

Não se iluda, porém, Eminência. Nosso povo continua a encher as igrejas e a freqüentar os Sacramentos. Disto não deduza Vossa Eminência, entretanto, que ele abdicou das convicções e dos ideais que o inspiraram na gloriosa epopéia de 1964.

Atitudes como a dos signatários do documento de Itaici vão abrindo um fosso cada vez maior, não entre a Religião e o povo, mas entre o Episcopado paulista e o povo.

A Hierarquia Eclesiástica, na própria medida em que se omite no combate à subversão comunista, vai se isolando no contexto nacional. E nos parece indispensável que alguém lhe diga que a subversão é profunda e inalteravelmente impopular entre nós, e que a Hierarquia paulista tanto menos venerada e querida vai ficando, quanto mais bafeja a subversão. 

Católicos apostólicos romanos, desejamos tornar essa situação bem clara a Vossa Eminência. Preferimos que Vossa Eminência dela se inteire hoje por intermédio de filhos cristãmente francos e profundamente respeitosos, a que a conheça amanhã através da evidência dos fatos, ou da gargalhada satânica dos subversivos. 

A seu tempo, esta gargalhada se fará ouvir, ecoando por todo o Brasil, sardônica e vitoriosamente, se nossas Autoridades civis e eclesiásticas, nossas Forças Armadas, e com elas todo o País, não cortarem definitivamente o passo à subversão.

Como poderão não rir os agentes do demônio, vendo que conseguiram transformar em instrumentos da expansão comunista, precisamente Pastores instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo para esmagar o poder das trevas?

Como católicos desejamos ardentemente que tal não suceda. E este desejo, respeitoso e filial até mesmo na expressão franca de nossas perplexidades e nossas apreensões, motivou a presente mensagem. 

Encerrando-a, osculamos com veneração a sagrada púrpura.

In Christo Iesu 


São Paulo, 13 de novembro de 1975 
O CONSELHO NACIONAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DEFESA DA TRADIÇÃO, FAMÍLIA E PROPRIEDADE

Plinio Corrêa de Oliveira 
Presidente 

Fernando Furquim de Almeida 
Vice-Presidente 

Paulo Corrêa de Brito Filho 
Secretário 

Adolpho Lindenberg 
Alberto Luiz Du Plessis 
Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira 
Caio Vidigal Xavier da Silveira 
Eduardo de Barros Brotero 
João Sampaio Netto 
José Carlos Castilho de Andrade 
José Fernando de Camargo 
José Gonzaga de Arruda 
Luiz Nazareno de Assumpção Filho 
Paulo Barros de Ulhôa Cintra 
Plinio Vidigal Xavier da Silveira
____________ 

(*) O documento foi publicado na íntegra em “Catolicismo”, nº 299-300, novembro/dezembro de 1975; “Diário da Noite”, São Paulo, 14-11-75; “Folha da Tarde”, São Paulo, 14-11-75; “O Estado de S. Paulo”, 14-11-75; “Diário de Brasília”, 18 e 21-11-75; “Jornal de Minas”, Belo Horizonte, 22-11-75; “A Tribuna”, São Carlos (SP), 27-11-75; “Correio do Povo”, Porto Alegre, 27-11-75; “O Diário”, São Carlos (SP), 27-11-75; “Diário de Pernambuco”, Recife, 28-11-75; “Jornal da Cidade”, São Carlos (SP), 30-11-75; “O Popular”, Goiânia, 30-11-75; “A Cidade”, Ribeirão Preto (SP), 7-12-75; “Monitor Campista”, Campos (RJ), 7-12-75; “A Nação”, Blumenau (SC), 9-12-75; “Diário Catarinense”, Florianópolis, 9-12-75; “O Povo”, Fortaleza, 9-12-75; “O Repórter”, Goiânia, 9 a 15-12-75; “Correio do Ceará”, Fortaleza, 10-12-75; “Equipe”, Cuiabá, 12-12-75; “Eco/um”, Várzea Grande (MT), 13 a 20-12-75; “A Tarde”, Salvador, 16-12-75; “O Estado”, Florianópolis, 17-12-75; “Folha de Londrina” (PR), 21-12-75; “O Fluminense”, Niterói (RJ), 28 e 29-12-75; “A Província do Pará”, Belém, 18-1-76; “O Jornal”, Manaus, 20 e 22-1-76; “Jornal do Comércio”, Manaus, 20-1-76; “A Notícia”, Manaus, 25-1-76; “Jornal de Debates”, Rio de Janeiro, 26-1 a 1°-2-76; “Gazeta de Alagoas”, Maceió, 12-2-76 (cfr. "Um homem, uma obra, uma gesta - homenagem das TFPs a Plinio Corrêa de Oliveira", Edições Brasil de Amanhã, São Paulo, 1989, pag. 119).

10 de dezembro de 2016

Panetones de Natal — inspiração celeste para as famílias católicas


Luis Dufaur
No Natal, os britânicos preparam o tradicional “pudding” [foto abaixo], oriundo da Idade Média e que segundo instrução da Igreja Católica, “deve ser feito no domingo 25, após a Trindade”. 

“Ele é preparado com 13 ingredientes para representar Cristo e os 12 Apóstolos, e em cuja massa todos os membros da família devem dar uma mexida durante a preparação, um de cada vez, de leste a oeste, a fim de homenagear os Reis Magos e sua suposta jornada nessa direção”

Por sua vez, os belgas degustam os chamados “cougnoles”, ou “cougnous”, pães do tipo brioche cujo tamanho varia entre 15 e 80 cm, com a forma de um presépio que acolhe uma imagenzinha do Menino Jesus.


Os alemães preparam o “Christstollen” [foto ao lado], bolo muito denso perfumado com especiarias e recheado com frutos cristalizados e passas, cozinhado numa forma especial. 

Os espanhóis no Natal preferem o “turrón”, uma massa feita com amêndoas e mel. Ele tem muitas variantes: com chocolate, nozes, frutas secas, etc. 


Os franceses comemoram com a “bûche de Noël” [foto ao lado], imitando um pedaço de lenha, que suscita todo ano um verdadeiro concurso para disputar quem é o pâtissier que concebe a variante mais criativa.

Porém, nesse ponto os italianos acabaram passando à dianteira de todos os outros com o universalmente conhecido e cobiçado “panettone”.


Origem do “panettone” 

Discute-se calorosamente na Itália sobre a sua origem. Todos concordam que nasceu na região de Milão. 

Segundo uma versão, o panettone nasceu em fins do século XV num banquete oferecido pelo tempestuoso duque Ludovico Sforza, dito “o Mouro”. 

O ajudante de cozinha de nome Toni, encarregado de vigiar o forno durante a preparação da sobremesa, teria dormido... E quando acordou ela estava queimada! 


Para se salvar da ira do colérico duque? O Toni então reuniu tudo o que estava sobrando na cozinha e misturou, para produzir um pão “enriquecido”... Esse delicioso manjar foi saboreado por todos, que ficaram encantados.

Assim, essa obra-prima passou para a posteridade com o nome de “pão de Toni”, que acabou dando em “panettone”. 

Mas há outra versão: um certo Ughetto degli Atellani, jovem nobre que queria casar com Algisa — filha do padeiro Toni — teria conseguido ser contratado pela padaria, onde concebeu o famoso pão de Natal para conquistar a moça. 

Outra versão ainda é aquela segundo a qual Sóror Ughetta — cujo nome significa uva-passa — teria comprado com suas últimas moedas algumas passas de uva e frutas cristalizadas para acrescentar a seu pão de Natal, a fim de alegrar as irmãs de seu convento. 

O fato histórico incontestável é que, entre outras coisas, na Idade Média nasceu o costume de comemorar o Natal com um pão que fosse melhor que o quotidiano. 

Até 1395, os fornos de Milão só podiam assar esse pão no período natalino. Com frequência o “panettone” era marcado com uma cruz. 


Há também o “panettone” glacé e com amêndoas de Turim. E o “pandoro” de Verona [foto ao lado], que é muito alto, pesa aproximadamente um 1 kg, com sabor de baunilha, uma massa muito leve e que é servido num pacote feito com açúcar cristalizado que é também comestível. 

Em Veneza, o “panettone” vem acompanhado de um creme de frutas cristalizadas. 

E, além do mais, há o “pandolce” de Genova, um pouco mais compacto; o “panforte” de Siena, feito com especiarias e sem farinha, com a massa consolidada com mel, pimenta e canela. 

No sul da Itália aplicou sua inspiração ao panettone, que vinha do Norte, e acrescentou delícias inéditas nas regiões frias: laranja, limão, pistache, bergamota e o licor limoncello. 

O de Nápoles é feito com laranjas cristalizadas de Amalfi e limoncello.

Em Siracusa, ele vem com chocolate, pistaches, laranjas cristalizadas da Sicília e passas de Pantelleria. Todos eles em geral têm preços acessíveis.

Foi somente entre as famílias do mundo católico que a ação multiforme da graça do Espírito Santo inspirou uma tão larga variedade de pães simples, mas deliciosos, próprios a elevar os espíritos e fortalecer o corpo nos gaudiosos dias do nascimento do Redentor. 

Procure-se entre os amargados protestantes calvinistas ou nos decaídos países pagãos e veja se eles criaram uma variedade análoga de uma delícia pura e inocente, tão de acordo com o espírito sobrenatural do Natal católico.


4 de dezembro de 2016

“STF, CONDENE OS CORRUPTOS E NÃO OS BEBÊS!”

Manifestação na Av. Paulista, assim como as fotos abaixo, em 4 de dezembro de 2016

Paulo Roberto Campos

            
Das incontáveis frases “bem sacadas” que observei na manifestação de domingo (4 de dezembro) na Avenida Paulista, destaco esta: “STF, CONDENE OS CORRUPTOS E NÃO OS BEBÊS!”. Creio que este slogan resume bem os recentes acontecimentos da política nacional: a tentativa do Congresso Nacional, na calada da noite de 29 de novembro, de absolver os crimes de políticos corruptos, e a condenação pelo STF de inocentes nascituros ao aprovar o aborto até o 3º mês de gestação. Tendo suas excelências aproveitado o momento em que a atenção do público estava focada no trágico desastre aéreo em Medellín.

Fotografei outra faixa que também faz alusão a essa absurda aprovação, com evidente usurpação do direito inerente ao Legislativo: “STF, ABORTE SEUS MINISTROS”. Faço questão de aqui destacar este aspecto anti-aborto observado nos protestos de domingo, pois, com certeza, a grande mídia de orientação esquerdista não mostrará esse ponto de vista.



Mas assim como em São Paulo, nesse mesmo dia 4 de dezembro, em diversas outras capitais centenas de milhares de manifestantes saíram às ruas em protesto pela atual situação em que o PT deixou o Brasil e pedindo “Quero o meu País de volta”; “Nossa bandeira é verde e amarela, sem foice e martelo” e em apoio à “Operação Lava-Jato” — com muitos cartazes de solidariedade ao Juiz Sérgio Moro.


Percorri a Avenida Paulista de ponta a ponta (desde a Rua da Consolação até as ruas próximas ao bairro do Paraíso) e tudo transcorreu na mais perfeita ordem, sem qualquer necessidade de intervenção policial [como se pode observar nas fotos abaixo]. De modo bem diverso foram os protestos contra a PEC em Brasília, onde baderneiros petistas violentos promoveram toda espécie de vandalismo, atacando inclusive os policiais.

Para percorrer a "galeria de fotos" click na primeira imagem