17 de fevereiro de 2017

Escorracem já o povo!


Péricles Capanema 

A vaga aberta no Supremo Tribunal Federal com a morte de Teori Zavascki assanhou a patrulha ideológica. Para desgraça nossa, ela continua crespa, cada vez mais intolerante. Eram 30 candidatos com chances de levar, avaliou Eliseu Padilha, encarregado pelo Presidente de fazer uma triagem inicial, informou a revista “Época”. No seleto grupo estava Ives Gandra Filho [foto abaixo], presidente do Tribunal Superior do Trabalho. Entre os ventilados, só ele foi fulminado pela fatwa da patrulha. Razão: suas opiniões estão vetadas no Brasil pela censura dos bem-pensantes progressistas. Não conheço Ives Gandra Filho, não tenho procuração nem pedido para defendê-lo e, quer saber, nem tenho juízo formado sobre a melhor escolha. Meu problema aqui é outro, de âmbito nacional.

Intrigado com a agressividade do veto, fui atrás das opiniões do magistrado, em especial sobre a família (o falatório girava em torno do tema). E li a nota que distribuiu à imprensa. Tive enorme surpresa. Suas convicções enunciadas em linguagem culta e clara são as da maioria do povo brasileiro.

São Tomás Morus (1478 – 1535)
Em resumo, a artilharia libertária quer banir do Supremo qualquer candidato que espose ideias aceitas pelo grosso dos brasileiros, mas não da patota emproada. A intolerância da neoinquisição não admite divergência. Faz lembrar Henrique VIII advertindo São Tomás Morus [quadro ao lado] no filme “O homem que não vendeu sua alma”: “No opposition, Thomas, no opposition”. Também ele não admitia oposição. Fica o recado: a KGB progressista não mais tolera no Brasil tais opiniões em pessoas que aspirem a postos de expressão; só ainda as atura no povo miúdo. Cada vez que surgir algum infeliz com tais opiniões, cogitado para posição influente, a patrulha também vai tratá-lo como proscrito.

Para onde vamos? Vamos para a servidão, se o Brasil da gente direita curvar a espinha às tirânicas oligarquias libertárias e assim permitir que minorias fanatizadas, por meio de estrondos publicitários, tomem de assalto as cadeiras do Supremo. E outros espaços de direção.

Vejam o que encontrei (está na rede). O conceito de matrimônio de Ives Gandra Filho reproduz exatamente o que ensina o catecismo católico: “O matrimônio possui dupla finalidade: a) geração e educação dos filhos; b) complementação e ajuda mútua de seus membros. Tendo em vista, justamente, essa dupla finalidade, é que o matrimônio se reveste de duas características básicas que devem ser atendidas pela legislação positiva, sob pena de corrupção da instituição: a) unidade — um homem com uma mulher; b) indissolubilidade — vínculo permanente”. Mesmo protestantes e até agnósticos podem subscrever tal definição; tem raiz no Direito Natural. A intolerância furibunda com os conceitos acima nutre no bojo o vírus da perseguição religiosa, que, se não for combatido, gradualmente vitimará o organismo inteiro.

Transcrevo abaixo algumas outras convicções relativas à família enunciadas pelo Dr. Ives: “A celula mater da sociedade (núcleo básico) é a família, como sociedade natural e primária, constituída numa comunidade de vida e amor para a propagação da espécie humana e ajuda recíproca nas necessidades materiais e morais da vida cotidiana”. Multidões de brasileiros dariam vivas e bateriam palmas em pé para quem afirmasse isso. Vou adiante: “O homem desde a sua origem surgiu no meio de uma família, que é a primeira sociedade humana. Não há que se falar, pois, em estado pré-social ou situação originária de promiscuidade sexual na vida animal”. Continuo: “A base do matrimônio é o consentimento mútuo na outorga e recepção do direito perpétuo e exclusivo sobre o corpo de cada um com vista aos atos aptos à procriação”. Mais uma: “Homens e mulheres têm constituições física e psíquica distintas, complementares entre si”. Excluir um candidato por defender tais convicções, equivale a moralmente banir o geral dos brasileiros de sua pátria.

Opinião de Ives Gandra Filho sobre união homossexual: “O casamento de dois homens ou duas mulheres é tão antinatural quanto uma mulher casar com um cachorro. Casais homoafetivos não devem ter os mesmos direitos dos heterossexuais, isto deturpa o conceito de família”. Reafirmo, é a persuasão da maior parte do povo brasileiro.

É também censurado por ser contrário ao aborto, ao divórcio, à distribuição de pílulas anticoncepcionais em hospitais públicos e a pesquisas com células-tronco de embriões. Reitero meu bordão, milhões de brasileiros têm opinião idêntica.

O presidente do TST julgou-se obrigado a distribuir nota à imprensa: “Diante de notícias veiculadas pela imprensa, descontextualizando quatro parágrafos de obra jurídica de minha lavra, venho esclarecer não ter postura nem homofóbica, nem machista. Deixo claro no artigo citado, de 70 páginas, sobre direitos fundamentais, que as pessoas homossexuais devem ser respeitadas em sua orientação e ter seus direitos garantidos, ainda que não sob a modalidade de matrimônio para sua união. Por outro lado, ao tratar das relações familiares, faço referência apenas, de passagem, ao princípio da autoridade como ínsito a qualquer comunidade humana, com os filhos obedecendo aos pais e a mulher ao marido no âmbito familiar, calcado em obra da filósofa judia-cristã Edith Stein, morta em campos de concentração nazista. O compartilhamento da autoridade sempre me pareceu evidente, tendo sido essa a que meus pais casados há 58 anos viveram e a qual são seus filhos muito gratos. [...] As demais posturas que adoto em defesa da vida e da família são comuns a católicos e evangélicos, não podendo ser desconsideradas "a priori" numa sociedade democrática e pluralista”.

Vou virar a página e dar um exemplo revelador das agressões da intolerância. Forum de 31 de janeiro traz em manchete: “Manifesto feminista contra Ives Gandra para a vaga de Teori ganha apoio irrestrito”. A notícia afirma que, “para eles [os signatários], Ives Gandra demonstra desconhecer a realidade social de brasileiras e brasileiros. ‘Sexismo, homofobia, lesbofobia, discriminação racial, desrespeito aos direitos humanos e sociais e ao Estado laico não podem ser parte da trajetória de quem irá integrar o colegiado do STF’, afirmam, em manifesto”. O texto, intoxicado de preconceitos progressistas e lotado de falsidades, vem assinado, entre outros, por Luiz Gonzaga Beluzzo, Miguel Rossetto, Emir Sader, centenas de professores de Direito, procuradores, líderes sindicais, juízes, jornalistas, advogados.

É pressagioso que minorias oligárquicas de esquerdistas e libertários, treinadas no patrulhamento ideológico, façam marcação cerrada para banir dos postos de direção qualquer um que tenha consonância com opiniões majoritárias do povo brasileiro, por eles abominadas. Agem aqui os mesmos germes causadores das perseguições que mataram milhões nos gulags da Rússia soviética e nos campos de concentração da Alemanha nazista.

16 de fevereiro de 2017

No carnaval, sacrílego vilipêndio a Nossa Senhora Aparecida

No terceiro centenário da aparição de Nossa Senhora Aparecida e a propósito da autorização dada por altas autoridades eclesiásticas, permitindo que uma imagem d’Ela seja exposta em carro alegórico no Sambódromo neste carnaval, a “Liga do Santo Rosário” enviou carta-circular aos seus participantes analisando e deplorando o alcance de tal permissão. Segue o teor da missiva. 


Anunciou-se há alguns meses que uma imagem de Nossa Senhora Aparecida seria levada no carnaval deste ano ao Sambódromo de São Paulo, como tema de um carro alegórico da Escola de Samba Unidos da Vila Maria. 

Por absurdo que seja, a mídia noticiou que essa presença foi autorizada por altas personalidades eclesiásticas. A desculpa que dão é de que a referida escola de samba garantiu que no carro alegórico da Vila Maria não haverá cenas de nudez ao redor da imagem. Nada diz sobre os outros carros da mesma escola... 

Ora, essas autoridades eclesiásticas sabem perfeitamente que nesse Sambódromo ocorrerão cenas das mais lúbricas, de passistas em trajes sumários, quando não completamente nuas, em danças imorais que ofendem gravemente a Deus. Isso a tal ponto, que é impossível ilustrar esse fato inconteste. 

Nem há necessidade disso: está na Internet, portanto ao alcance de qualquer pessoa, a informação de que a mencionada escola de samba sempre desfilou ostentando o mesmo grau de imoralidade das demais. As chamadas musas do carnaval exibem-se escandalosamente, conscientes de que assim satisfazem os desejos baixos da maioria do público ali presente. Quem vai ao carnaval vai atrás disso... 

De nada adianta dizer que a Escola de Samba Unidos da Vila Maria fará uma como que “bolha moralizada” (moralizada?), que só existirá junto à imagem, e não no carnaval que se desenrolará em torno dela. Alegar essa “atenuante” não passa de uma imensa hipocrisia. 


Seria algo como levar a imagem a uma praia nudista, garantindo que os que a carregarem não estarão nus. Por aí vemos o insustentável dessa autorização absurda, que põe à sombra a imoralidade gigantesca reinante nesses eventos, à qual se soma o consumo de drogas, destemperos sexuais, bebedeiras desenfreadas, numa atmosfera de bacanal.

Mas não é só isso. Há uma enorme agravante, no caso. Ficará a impressão extremamente danosa para os católicos, e mesmo para os não católicos, de que a Igreja já não censura a imoralidade carnavalesca. E que tudo aquilo que acontece no Sambódromo não é mais considerado uma grave ofensa a Deus e a Nossa Senhora. Portanto, o carnaval tal como vemos hoje, com suas cenas de nudez e imoralidade, não tem nada de mais.

Ora, é evidente que esse endosso eclesiástico ao carnaval vai estimular a ousadia rumo ao nudismo total. E nas ruas, e até mesmo dentro das igrejas, como infelizmente estamos vendo, o despudor irá aumentar ainda mais. 

É francamente inacreditável que a maioria dos pastores de almas não dê importância a isso. Há não sei quantos anos a omissão deles em relação à progressiva imoralidade do carnaval e dos trajes civis vem chamando a atenção.

No que dará isso? Dará na estatística que a revista “Carta Capital” publicou em novembro último: a cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil! 

O estupro é uma coisa abominável e deve ser severamente punido. Mas a culpa é só dos estupradores? A atração exercida pela maneira provocativa de certas modas não tem também responsabilidade nisso? Uma vez que o senso moral e religioso está desaparecendo, o que deterá as pessoas que não põem freio a seus instintos baixos? 

Imaginemos que aparecesse a moda de, durante a noite, as casas ficarem com as portas visivelmente abertas. Haveria espanto em se constatar um aumento de roubos nelas?

Na lógica dessa argumentação, esse imenso pecado de permitir a condução ao Sambódromo de uma imagem sacrossanta de nossa Rainha e Padroeira é próprio a acarretar consequências imprevisíveis, caso os brasileiros não reajam à altura.

Houve tempo em que nós, católicos, éramos 97% dos brasileiros. Hoje, por causa da crise pós Concílio Vaticano II, minguamos para o pífio índice de 50%. 

Como consequência, agora há ambiente para se fazer o que há 10 ou 20 anos era inimaginável: expor Nossa Senhora ao vilipêndio de desfilar num bloco de carnaval, e assim jogar lama na aura de santidade e respeitabilidade d’Aquela que foi a tal ponto pura, que foi Virgem antes, durante e depois do parto.

Voltemo-nos a Ela e peçamos que tenha compaixão do Brasil e dos brasileiros inconformes com esse sacrílego vilipêndio, que já começaram a protestar. 
_____ 
P.S.: Quem desejar participar desse protesto, pode fazê-lo por meio do site do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira:
http://ipco.org.br/ipco/51644-2/#.WJqgdTsrK9I.

15 de fevereiro de 2017

Bispos ucranianos condenam a “Ideologia de Gênero”

Encíclica de bispos da Ucrânia denuncia a absurda, totalitária e pseudo-científica tese dos “ideólogos de gênero” como uma revolta contra a ordem estabelecida por Deus quando criou o homem e a mulher


Plinio Maria Solimeo

Uma das mais nefastas ideologias inspiradas pelo demônio para perverter especialmente a infância é a Ideologia de Gênero. Na loucura generalizada de nossos dias, não se podia conceber coisa mais absurda nem contra o mais elementar bom senso. 

Era preciso que o mundo chegasse ao extremo de decadência e de amoralidade de nossos dias para que teoria tão nefasta pudesse surgir. 

O que é pior, ela não encontra, mesmo da parte de pessoas tidas como sensatas, a repulsa que deveria causar. Por isso é muito reconfortante saber que os bispos do rito Greco-católico da Ucrânia se ergueram em uma só voz contra ela, numa “Carta Encíclica” dirigida a todo o clero daquele sofrido país, àqueles responsáveis pela educação dos filhos e “aos que trabalham na informação e nos currículos educativos, como também aos cientistas, para que proporcionem uma informação real e completa sobre a própria essência do ser humano”.


O documento é reproduzido e comentado pelo jornalista Raffaele Dicembrino no site católico italiano La Croce Quotidiano , de 14 de janeiro último, e retransmitido em espanhol em ReligionenLibertad. É dessas fontes que publicamos esta matéria. 

De onze páginas, muito categórica e com forte linguagem, a “Carta Encíclica” é assinada em nome do Sínodo dos bispos do rito Greco-católico ucraniano pelo Arcebispo Maior desse rito em Kiev, Sviatoslav Shevchuk [foto acima].

Nova ideologia para destruir a fé e a moralidade cristãs 

“Antes havia o regime soviético, que impunha uma visão ateia do mundo — diz Dicembrino, citando o documento —, apresentada como sendo ‘a única científica, e que privava os homens do direito de professar livremente sua fé religiosa’”. Os bispos afirmam que hoje os desafios são similares, pelos “modos ideológicos de destruir a fé católica”, pondo em discussão, de maneira solapada, “a fé e a moralidade cristãs”. Entre os novos desafios que enfrentamos, “tem um lugar relevante a Ideologia de Gênero”. 

Segundo os bispos, essa ideologia “procura destruir a percepção da sexualidade humana como dom de Deus naturalmente vinculado às diferenças biológicas entre homem e mulher”, tendo como consequência “introduzir perigosa desordem nas relações humanas”. 

Os prelados alertam os fiéis ucranianos para que não reajam passivamente aos sofismas dessa ideologia, “aceitando como verdade, sem pensar, essas teorias atéias, cujo [falso] fundamento é afirmar a dignidade humana, alcançar a igualdade entre as pessoas, e defender o direito humano à liberdade”.


Os bispos Greco-católicos recordam que o plano de Deus delineia a dignidade humana, e põem em evidência as passagens da Bíblia que acentuam e valorizam as diferenças entre o homem e a mulher. Eles recordam que a sexualidade “como dom de ser homem e mulher” cobre, “de maneira íntegra, todas as dimensões da existência da pessoa humana: corpo, alma e espírito”. Além do que a pessoa humana, criada à imagem de Deus, “está chamada à eterna comunhão com o Criador”, com “livre vontade” — termo amplamente esgrimido pelos que fomentam a Ideologia de Gênero“que permite ao homem escolher tanto o bem quanto o mal”. 

Para os bispos, a Ideologia de Gênero é um legado da “constante tentação de violar os estatutos de Deus neste âmbito”, a qual vem “da queda de nossos progenitores”. Pois, a partir do Pecado Original, o homem “abusa da possibilidade de uma escolha livre, quando tenta liberar-se dos valores tradicionais na área da sexualidade e da vida matrimonial, ao que trata falsamente como um arcaísmo e um obstáculo à igualdade, dignidade e à liberdade”. Para a Ideologia de Gênero, “a diferença entre os sexos seria uma condição prévia para a violência sexual, na família e fora dela”, enquanto que, na realidade, a causa desses problemas “não é a sexualidade, mas precisamente sua percepção distorcida”

Escolher o próprio sexo: eleição pessoal? 

O documento ressalta que, durante milênios, os seres humanos se definiram sempre com base nos sexos biológicos, varão e mulher, e que só recentemente “pontos de vista mundanos, contrários à fé cristã, à realidade científica objetiva, e à lei natural, passaram a ser difundidos e influentes”, fazendo com que a identidade de gênero “já não seja um dom de Deus”, mas uma “escolha individual da pessoa”

Isso a leva a “não compreender seu profundo chamado ao amor eterno”, mas antes a considerar a identidade de gênero, “uma diversão temporal da existência”

Segundo essa funesta ideologia, a pessoa humana possui uma como que “liberdade incorpórea”, da qual é criadora e a partir da qual constrói sua identidade. Desse modo, todos podem escolher o sexo que queiram, porque à pessoa “se oferece a possibilidade de não limitar o próprio sexo biológico ao conceito de homem ou mulher, ou ao papel social de homem e mulher, mas antes em escolher o próprio gênero dentre uma pluralidade de possibilidades”. A pessoa já não está determinada “por ser algo”, mas antes por “atuar no papel de alguém”.

Querem impor essa ideologia totalitária

Para a “Carta Encíclica”, o pior de tudo não são essas teorias aloucadas, mas que elas sejam “impostas de maneira agressiva à opinião pública, introduzidas gradualmente na legislação, forçando — e aumentando — sua visibilidade em âmbitos distintos da vida humana, sobretudo na educação e no crescimento” das crianças.

Desse modo, “as Ideologias de Gênero começam a adquirir as características de uma ideologia totalitária, e são similares às teorias utópicas que, no século XX, não só prometeram criar o paraíso na Terra, mas buscaram ao mesmo tempo introduzir, mediante a força, seu modo de pensar, erradicando qualquer outro ponto de vista alternativo”


Vitral representando a criação no Paraíso Terrestre
 do homem e da mulher, feitos à imagem
e semelhança de Deus
A pessoa geralmente não se dá conta de que, “ao apoiar a Ideologia de Gênero, está rechaçando a ideia de que seu gênero sexual foi criado por Deus. E, por conseguinte, põe em dúvida o fato de que Deus criou o homem varão e mulher”.

Sobretudo, com a Ideologia de Gênero se nega “a existência de um Criador”, e “a verdade de que os homens foram feitos à Sua imagem”, pondo em discussão a complementariedade dos homens e mulheres, e mesmo a instituição do matrimônio. 

 

  

Ideologia sem base científica 

O mais absurdo é que a Ideologia de Gênero “não corresponde sequer a dados científicos objetivos”, mas se baseia antes em “hipóteses subjetivas e declarações pseudo-científicas, feitas pelas partes interessadas”. Isso, além de fomentar muitas formas de “identidade sexual ou comportamentos que não correspondem de todo à natureza humana”, levam mais bem “à promiscuidade e à progressiva desmoralização da sociedade”. 


Os bispos ressaltam que as Ideologias de Gênero também “destroem o conceito de família como comunidade formada por pai e mãe, na qual as crianças nascem e crescem”, porque esta é apresentada só como “uma forma possível de família”.

O último parágrafo da encíclica recomenda especialmente educação e estudo, porque a sociedade “não conhece em profundidade as questões de gênero”. Entretanto, é necessário não sucumbir à pressão social, e trabalhar “juntos para defender a dignidade de cada pessoa, reafirmando as características próprias naturais dadas por Deus, e protegendo com firmeza o desenvolvimento da comunidade da família como fundamento da revelação divina”.

Para isso é necessário informar-se, e compreender “o verdadeiro objetivo de algumas propostas ou apelos”, porque “o ser humano não pode trair sua vocação e destruir a dignidade humana em favor de duvidosos projetos políticos e sociais, mesmo que estes sejam apresentados como um sinal de progresso e modernidade”

Esperamos que esse lúcido apelo dos bispos Greco-católicos ucranianos encontre eco em muitos outros episcopados, em particular aqui, nesta Terra de Santa Cruz.

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1. http://www.lacrocequotidiano.it/articolo/2017/01/14/chiesa/la-chiesa-ucraina-tuona-contro-il-gender 
2 http://www.religionenlibertad.com/iglesia-ucraniana-compara-ideologia-genero-con-las-ideologias-54475.htm

9 de fevereiro de 2017

Perversão infantil: chocante banalidade!


Paulo Henrique Américo 

Chegamos a tal ponto da decadência moral, que afirmações as mais graves parecem banais. Convido o leitor a comprovar essa minha impressão fazendo um teste com a seguinte frase: a inocência das crianças está sendo destruída.

De um lado, tal afirmação apresenta-se chocante. Basta lembrar as palavras do Divino Salvador: “Melhor lhe seria que se lhe atasse em volta do pescoço uma pedra de moinho e que fosse lançado ao mar, do que escandalizar a um só destes pequeninos” (S. Lucas 17,2). 

Por outro lado, mencionar a destruição da inocência infantil já nos soa normal, banal! Isto porque ela se tornou cada vez mais recorrente. Algo como uma canção macabra cantada em todas as esquinas. Já nos acostumamos com sua trágica melodia e a repetimos quase sem atenção, sem levar em conta a sua gravidade. 

De fato, vivemos num triste século. Mesmo os católicos, aqueles que deveriam reagir contra a indiferença, vão caindo inexoravelmente nas suas garras. Não se podem estranhar as lágrimas de Maria Santíssima, Mãe de Deus.

Nossas crianças são aliciadas e atacadas de todos os lados pelo vendaval da imoralidade. A televisão era sua grande promotora até há pouco. Mas também ela acabou por tomar aspecto um tanto antiquado! A internet surgiu como a máquina mais eficiente da perversão infantil. Com alguns cliques no mouse — ou alguns toques no smartphone — qualquer criança pode acessar as mais cruas cenas de pornografia online

Mas o tufão da imoralidade possui outras frentes de ataque. E aqui vem mais um teste de banalização do que antes se afigurava chocante. Curiosamente, o tema “educação sexual para crianças” não causa mais sobressaltos como algumas décadas atrás. Hoje, algo mais malicioso entrou em todos os ambientes: a Ideologia de Gênero

Agora, as crianças não são apenas submetidas ao aprendizado do sexo desde a mais tenra idade, como também são induzidas na escolha de outra orientação e identidade sexual.

Cena da série The Mick, na qual um menino
aparece vestido de menina
Um exemplo para ilustrar essa alarmante realidade. O “Life Site News” publicou,(1) no início de janeiro último, reportagem sobre a nova série da “TV Fox”, nos Estados Unidos, intitulada The Mick [foto]. Além da promoção do aborto, da linguagem vulgar e do conteúdo sexual explícito, a série impulsiona a Ideologia de Gênero, visando sobretudo as crianças. Um dos personagens — menino de apenas sete anos — é apresentado trajando um vestido para menina. Na cena, o menino faz comentários sobre o vestido e sobre as partes femininas de seu corpo.

Chocante, dizemos! E o leitor concordará. Mas quanto tempo transcorrerá até que tais insinuações e atitudes ressoem também como banais ou normais aos nossos ouvidos?
Imagem de Nossa Senhora do Bom Sucesso venerada no Convento
das Freiras Concepcionistas de Quito (Equador).
A Rainha dos Céus tem sempre diante de si a gravidade da destruição da inocência infantil. Ela já havia previsto a atual onda de degradação das crianças quando de suas aparições à Madre Mariana de Jesus Torres [pintura abaixo], em Quito (Equador), no século XVII. As palavras Nossa Senhora do Bom Sucesso [foto acima]— profecias a respeito dos nossos tempos — são impressionantes pela sua atualidade. Eis alguns trechos aplicáveis ao tema do qual tratamos: 

Madre Mariana de Jesus Torres
“Quase não se encontrará inocência nas crianças, nem pudor nas mulheres, e, nessa suprema necessidade da Igreja, calar-se-á aquele a quem competia a tempo falar. 
“Extravasarão as paixões e haverá total corrupção dos costumes por quase reinar satanás..., o qual visará principalmente à infância a fim de manter com isto a corrupção geral. Ai dos meninos desse tempo! Dificilmente receberão o Sacramento do Batismo e o da Confirmação. 
“Possuirá [o mal] sutileza para introduzir-se nos ambientes domésticos, que perderão as crianças. Nesse tempo infausto, quase não se encontrará a inocência infantil. Desta forma perder-se-ão as vocações para o sacerdócio e será uma verdadeira calamidade.” 

Diante da avalanche contra a inocência infantil não devemos permanecer de braços cruzados. É por isso que a TFP norte-americana proveu abaixo-assinado(2) [imagem acima] no mês passado com o objetivo de coibir a exibição da citada série da “TV Fox”. 

Não fiquemos indiferentes na consideração da gravidade da decadência atual. Oração, sacrifício e emenda de vida foi o que Nossa Senhora nos pediu em Fátima. Assim, seremos daqueles que de algum modo enxugam suas tão dolorosas lágrimas.

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Notas: 
(*) Fonte: Revista Catolicismo, 794, Fevereiro/2017. Para se fazer uma assinatura dessa revista envie um e-mail para: catolicismo@terra.com.br 
1. http://www.lifesitenews.com/news/new-fox-comedy-breaks-moral-compass-includes-children-in-sexual-gender-conf 
2. http://www.tfp.org/act/petition/tell-fox-stop-promoting-transgenderism-cancel-mick-now/

30 de janeiro de 2017

HISTÓRICA MARCHA CONTRA O ABORTO NOS EUA


Paulo Roberto Campos


Monumental manifestação contra o aborto, no dia 27 último, atraiu centenas de milhares de participantes, provenientes de todos os Estados do país, à capital norte-americana. 

A March For Life é realizada todos os anos em Washington, normalmente na última semana de janeiro, época de intenso frio, mas que não impede a grandiosa manifestação.


Nesta 44ª edição, a gigantesca Marcha contou com a presença do vice-presidente americano Mike Pence [na foto, durante o evento, ao lado de sua esposa]. Defensor dos valores da instituição familiar, ele afirmou em seu discurso que se sentia muito honrado por ser o primeiro vice-presidente a ter o privilégio participar da Marcha, que a oposição ao aborto está ganhando terreno no país, e que atuará para que esse crime não seja mais permitido nos EUA. 


Em uma de suas primeiras medidas, o novo governo americano deu um basta ao financiamento de ONGs abortistas, incluindo a maior delas — a Planned Parenthood, envolvida em escândalos de venda de fetos abortados em suas clínicas. 

Donald Trump registrou em seu twitter: “A March For Life é muito importante. Todos que protestam hoje têm meu apoio absoluto!”

Certos setores esquerdistas da grande mídia tentaram ignorar essa Marcha, mas outros setores publicaram e seus noticiários reproduzem inúmeros comentários de manifestantes esperançosos de que no atual governo sejam aprovadas leis que garantam a vida dos bebês no ventre materno, de tal modo que as mães possam gerá-los e dá-los à luz tranquilamente, sem pressões de médicos aborteiros, de pessoas inescrupulosas e de ONGs, e que a prática do aborto seja criminalizada, diminuindo assim a carnificina de inocentes. 
O movimento anti-aborto tem crescido em muitos países, mas, sobretudo, na geração mais nova americana — denominada Pro Life Generation [foto acima] —, como se pode observar nas filmagens e fotos da multidão. Esses jovens esperam que proximamente seja revogada a iníqua sentença “Roe vs. Wade”, resolução do Supremo Tribunal americano que aprovou o aborto em 1973. Para isso, vão organizar uma série de eventos, aproveitando a existência na opinião pública do país de um anseio pelo retorno à ordem na família e na sociedade em geral. 

Desde o ano da aprovação do aborto nos EUA, a TFP americana participa da March For Life, estimulando os participantes com seus estandartes rubro-áureos [foto acima] e sua fanfarra, como se pode notar nas fotos que seguem. [click na 1ª foto para percorrer a galeria de imagens]. 

Na ocasião, a TFP americana distribuiu um comunicado intitulado “Para tornar a América grande, voltada para Deus”. Organizações anti-aborto — coirmãs daquela TFP — da Alemanha, Colômbia, França, Irlanda, Lituânia e Polônia enviaram delegações à histórica Marcha em defesa da vida inocente.






















25 de janeiro de 2017

PETIÇÃO PARA GARANTIR A VIDA DO NASCITURO

Contra a decisão do STF, que permitiu o aborto até o 3º mês de gestação, uma das faixas ostentadas na manifestação na Av. Paulista no dia 4 de dezembro de 2016

Inciativa do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira promove abaixo-assinado a fim de se obter um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) para garantir a vida do nascituro desde a concepção 


Na tripartição dos poderes, proposta por Montesquieu e aplicada por aqui, cabe ao parlamento legislar, incorporando as demandas da sociedade às leis do país. Ao judiciário, cabe julgar os fatos, aplicando as leis que foram votadas pelo parlamento. 

Não cabe ao judiciário criar leis segundo critérios de seus integrantes, muitos deles influenciados pela onda do “politicamente correto”. A função de criar leis é do legislativo, cujos integrantes foram votados em eleições e recebem, com isso, um mandato para representar a vontade de seus eleitores. Ao menos, assim deveria ser em uma democracia. 

Infelizmente, não é isso que temos visto no Brasil. 

Uma recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) cria jurisprudência — uma decisão que pode ser citada por outros juízes e tribunais como um precedente — para possibilitar que o aborto seja permitido em todo o território nacional até os três meses de vida do bebê.

Já a legislação nacional, votada pelo Parlamento, é taxativa ao considerar o aborto como crime em qualquer momento da gestação. Mas aqueles que deveriam velar pelo cumprimento estrito da lei, interpretando-a segundo a intenção de quem a promulgou, consideraram-na inadequada para o contexto social em que vivemos. 

Tratou-se, então, de interpretá-la segundo os critérios mais amplos da Constituição. Tão amplos como amplos são os conceitos de “direitos humanos”, “igualdade” etc. 

Se a interpretação pode ir contra a vontade do legislador e até mesmo contra a própria letra da lei, de que importa a lei? Torna-se um mero dispositivo que será usado pelo seu intérprete para impor uma nova concepção de sociedade, mesmo que em oposição à esmagadora maioria da população a quem ambos, em uma democracia, devem servir, tanto o legislador e sua lei, como o juiz, que é o seu intérprete. 

O voto vencedor foi proferido pelo Min. Luís Roberto Barroso, o mesmo que, em algumas ocasiões, disse que caberia ao STF o papel de uma vanguarda iluminista. Sobre isso, caberia perguntar: a quem serve essa vanguarda iluminista? 

Participe do abaixo-assinado 

Jovens do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, empregando seus dias de férias escolares, em Caravanas percorrem regiões do Brasil para coletar assinaturas para a mencionada PEC. Mas você também pode participar por meio do link abaixo. Preencha o formulário, coloque seu nome e compartilhe essa petição. Vamos fazer algo para barrar a tal “vanguarda da morte” e, assim, garantir a vida do inocente no ventre materno! 


[texto do abaixo-assinado] 

SENHORES CONGRESSISTAS, 
tendo em vista as inúmeras tentativas de liberar ou de ampliar o aborto no Brasil, seja através de decisões judiciais ou de projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional; 
tendo em vista que o aborto voluntário constitui um assassinato de uma criança inocente, uma grave violação da Lei Natural e da Lei de Deus, sendo contrário ao desejo da imensa maioria de nossa população.
Nós, abaixo-assinados, solicitamos que seja aprovada uma emenda constitucional que proteja a vida das crianças que ainda estão no ventre materno. 
Nesse sentido, pedimos que o aborto continue proibido em nosso País para garantir a vida do nascituro, sem permitir que sejam ampliados os casos em que o aborto, pela legislação atual, não é punido. 
Senhores Congressistas, nascer também é um direito, um direito fundamental, e precisa ser defendido em nossa Constituição de forma clara, para que não se torne mais um dos direitos negligenciados e para que, em nosso Brasil, seja a defesa da vida dos indefesos uma das estrelas que brilham, em nosso firmamento, ao lado do Cruzeiro do Sul. 

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Não deixe de assinar. Click aqui:

CONTOS DE FADAS



Plinio Maria Solimeo

Por anos, gerações e gerações de crianças e adolescentes — e por que não dizer, também de pais? — se encantaram com a leitura dos contos de fadas para crianças. Lembro-me ainda com saudades de ler com muito deleite, quando pequeno, por exemplo, a história do “Patinho Feio”, do “Soldadinho de Chumbo”, da “Gata Borralheira” ou “Cinderela”, do “Pinóquio”... e outras tantas histórias que alegravam minha vida de criança. 


Num artigo anterior, comentei que, de acordo com cientistas, a criança nasce com o senso do bem e do mal, da verdade e do erro. E que o bebê se alegra e ri diante de algo bom ou belo, e faz careta e afasta o rosto diante do contrário. Trata-se, como nos ensina a doutrina católica, da lei natural, comunicada pela Providência Divina, a cada alma dos que nascem.

Por isso é muito benfazejo e formativo alimentar essa boa tendência na alma das crianças, ajudando-as a preservar essa visão primeira. 

Porque, em geral, os contos de fadas procuram mostrar o lado bom, belo e deleitável da vida, e por isso ajudam a formar as mentalidades das crianças, incentivando esse lado bom, e servindo de alimento para suas almas. 


O eminente líder genuinamente católico, Plinio Corrêa de Oliveira, dizia que as crianças têm seus primeiros contatos com a vida através das histórias e, por meio delas, a inteligência infantil transpõe os limites do ambiente doméstico. Assim, aprende as noções iniciais sobre a sociedade humana. Segundo esse grande pensador, essas primeiras noções sobre esta luta que é a vida, e as impressões mais profundas que recebem em seus primeiros anos de existência, ajudam a criança a tomar posição diante delas. Donde a importância capital, para uma civilização católica, de proporcionar às crianças uma literatura profunda e saudavelmente formativa, que as ajude a manter-se fiéis à inocência, e a empreender o caminho da admiração pelo maravilhoso. Isso poderá constituir o verdadeiro timão de suas vidas . Como estamos longe disso nos nossos tristes dias!

Hans Christian Andersen, o mais célebre escritor infantil 

Antônio Giuliano, jornalista de “Il Timone”, da Itália, ao comentar a biografia do maior escritor de narrações infantis de todos os tempos, Hans Christian Andersen (1805-1875) [foto ao lado], comenta: “A miúdo se escrevem mais os contos para os adultos, que para as crianças. E eles [os contos] têm um estranho poder: ajudam-nos a reler nossa existência, projetando-a para horizontes mais amplos e inimagináveis”.

Diz o jornalista que “o grande escritor dinamarquês revela, em sua autobiografia, alguns traços ainda pouco notados e paradoxais de sua personalidade. Ele a começa assim: ‘A minha vida tem sido um formoso conto, rica e feliz’, quando, na realidade, sua existência foi tudo, menos um conto”. De família pobre, seu pai, sapateiro, enviuvou quando ele tinha 11 anos, deixando-o “abandonado a seus sonhos e à sua fantasia, alimentados pela leitura de livros infantis, feita com o pai”.

Aos 14 anos Andersen resolveu partir para Copenhague, “abandonado a mim mesmo, sem ninguém mais que o Deus do Céu”

Depois de várias tentativas frustras, começou a escrever peças e contos. Alguns doadores generosos lhe permitiram satisfazer uma de suas maiores paixões: “viajar”. Fez 30 viagens fora da Dinamarca, sete só na Itália, que muito amava. Nunca teve casa própria nem família, vivia quase sempre em casa de amigos. Só no fim da vida foi-lhe reconhecido o mérito, e começou a gozar a merecida fama. 

Quando se dedicou exclusivamente ao conto infantil, “Desaconselharam-me absolutamente, e todos me disseram que me faltava o talento necessário, e que isso não era coisa para nossa época”. Esses pessimistas não mostraram ser profetas...

Giuliano comenta: “Mas, em seus contos, o bem é superior ao mal, e o fazia sobretudo passar a mensagem de que, na vida, nunca se pode dar por vencido. Basta crer, sustentados por essa certeza posta no início de sua autobiografia: ‘A história de minha vida dirá ao mundo o que ela me diz: existe um Deus amoroso, que conduz tudo a melhor fim’”.

“Escola de Princesas” 

Qual a menina de antanho que não pensou em ser uma princesa de contos de fada, pelo menos por um dia? Ou qual o menino que não sonhava com um uniforme de soldadinho, com espadinha e tudo? 


Foi, pois, com prazer que li a reportagem do “Estado de São Paulo”, sobre uma “Escola de Princesas”, fundada em Uberlândia, na qual as meninas de quatro a 15 anos são ensinadas “desde os valores de uma princesa — como humildade, solidariedade e bondade — e como arrumar o cabelo e se maquiar, até regras de etiqueta, de culinária, e como organizar a casa”, tudo isso num ambiente elevado e tradicional. As aulas são ministradas por profissionais, entre os quais cozinheiras, nutricionistas e psicólogos. 

É claro que, em nosso mundo tão igualitário, uma escola dessas tinha que ser alvo de críticas. Diz a jornalista Hyndaira Freitas em sua reportagem: “‘O sonho de toda menina é tornar-se uma princesa’: esse é o mote da escola, que recebe críticas por ser, supostamente, um retrocesso, ao ensinar tarefas domésticas apenas para meninas, como se ensinasse que lugar de mulher é na cozinha” . Isso horripila as feministas e os esquerdistas de todos os matizes de nosso tempo. 

Por isso, como não poderia deixar de ser, logo surgiu a reação da esquerda. O mesmo “Estado de São Paulo” traz, no dia 17 de novembro, o artigo: “Meninas fazem oficina antiprincesa”.

É preciso dizer que esse título é forçado, e não condiz com a matéria. Pois não se trata de meninas que fazem esse curso, mas de adultos “engajados”, que idearam e tocam avante essa oficina. 


A reportagem refere-se — aliás com indisfarçada simpatia —, a uma “Oficina de Desprincesamento”, que uns chilenos estão introduzindo em São Caetano do Sul (SP). Pelo que diz a mãe de uma menina, candidata ao curso, pode-se avaliar o grau de engajamento ideológico que seus idealizadores têm em vista.

Com efeito, explica a mãe da mencionada menina que “no encontro, as garotas terão workshop de autodefesa, e serão apresentadas a personalidades como Clarice Lispector [escritora, conhecida como a “grande bruxa da literatura brasileira”], Patrícia Galvão (a “Pagu”), [“membro do Partido Comunista Brasileiro, trotkista”] , e Violeta Parra [chilena, folclorista, “mãe da canção comprometida com a luta dos oprimidos e explorados, suicida” ]. “Estão planejados ainda um debate sobre auto-imagem, o que é ser princesa [segundo o conceito marxista], e o que pode ser feito para manter um cotidiano mais igualitário entre meninos e meninas”.

Ainda, segundo ela, “entre os assuntos debatidos no treinamento dado pelos chilenos, foram abordados o amor romântico [que soa como o amor entre pessoas do mesmo sexo] e questões de gênero [não podia faltar!]. Explica ela que “o curso é uma forma de ‘plantar uma semente’ nas novas gerações, para minimizar a desigualdade de gênero nas próximas décadas” (grifos do jornal). Não podia ser mais ideologizado! 

É trágico verificar como esses radicais não perdem ocasião de pregar e pôr em prática suas mais perversas teorias. E vão matando assim na alma das crianças aquela visão primeira e dourada da vida, apresentadas a elas pelos contos de fadas.

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[1] Cfr. “O maravilhoso, o real e o horrendo na literatura infantil”, Ambientes, Costumes e Civilizações, Catolicismo Nº 40 - Abril de 1954.

[6] https://pt.wikipedia.org/wiki/Violeta_Parra